terça-feira, fevereiro 21, 2006

Manhã fetichizada (positiva) ou manhã inquieta (negativa)?

Resposta à pergunta: Que é um Universitário? *

“Deixar o erro sem refutação é estimular a imoralidade intelectual” (Karl Marx)

“O que é, exatamente por ser tal como é, não vai ficar como está” (Bertolt Brecht)


É manhã. Mais uma. Pode-se até dizer uma manhã especial pelo desejo de prestar esclarecimento (que prepotente!) a este enfadonho veículo de especulação. Já está quase no início das aulas e nada de postar. Pois, agora também, irei redigir o meu maior desabafo. Estou no último ano de Ciências Sociais e, por conseguinte, já muito próximo da rua da amargura. Já não era sem tempo! Os companheiros de sala não dirão o mesmo, mas eu quero logo é tocar minha vida, não no sentido de ir levando de barriga, mas no sentido do agir por vontade própria, com minhas próprias pernas, ou, adequando melhor a expressão a nossa vida, com meus próprios neurônios. Por outro lado, é triste, nossa vida acadêmica está acabando. No entanto, penso que esta é só mais uma etapa, nós estamos é realmente começando a nossa vida acadêmica. Acabou a mamata e agora é hora de arregaçar as mangas, ou melhor, “lubrificar o cérebro” que agora é hora de por em prática tudo o que aprendemos! Mas que prática? Onde? Como? O que aprendemos? Ou melhor, de que serve a vida universitária? Para conseguir trabalho? Para ganhar dinheiro? Status? Para ser filho de uma minoria, “elitizada” e “intelectual”? Infelizmente, como você já sabe, nós estamos remando contra maré. Não estou querendo com isso dizer que somos nós os certos, os justos, os intelectuais, aqueles que explicam a realidade. Quando formarmos vão nos perguntar nas esquinas e nos bares: Sociais o que? De que serve? O nosso curso, dependendo do enfoque que é dado, como no nosso caso, não “serve” para nada neste sistema de produção. Dirão: Em que você pode me ser útil? Utilidade neste caso, como sabemos, para acumular valor. Extrair mais-valia. Gerar lucro. Em que que poso ser útil? Deixa me ver, posso lhe mostrar como você explora o trabalho alheio com a finalidade de incitá-lo a serrar fileiras com o proletariado e engrossar a revolução. Será que ele vai achar isso legal? Acho que não. Remamos contra a maré. Penso isso porque, principalmente, não representamos nenhum perigo para o sistema, apesar de só discutirmos qual será o fim dele. Não obstante as teorias que estudamos todos dias, e que, já, algum dia, fizeram a diferença em outras épocas. O pensamento posto em movimento libertou o homem das condições naturais as quais ele era subordinado. Mas hoje não. O tempo já não é mais o mesmo.As datas 1848, 1870, 1919, ou 1968, não representam nada para as atuais reflexões (gerações). Estes surtos revolucionários foram estancados pela eficiente máquina ideológica do capitalismo tardio; é só perguntar para um adolescente na rua o que ele sabe sobre o período 1914-1918, seguramente não irá saber nada, quando muito, irá dizer que foi uma guerra grande; e ele responderá isso sem ter um pingo de consciência sobre a matança indiscriminada de seres humanos que foi feita nesta época, o uso nefasto da ciência para gerar lucros e sangue; hoje, isso não faz mais sentido, o Manifesto Comunista é vendido no Carrefour. Sim. Eles conseguiram; para expressar em poucas palavras todo esse processo citarei Benjamin, grande filósofo alemão do século XX: “A imagem que se faz do anjo da história é a seguinte: sua face está voltada para o passado. No lugar onde percebemos uma cadeia de efeitos, ele vê uma única catástrofe que não para de despejar destroços diante de seus pés. O anjo gostaria de ficar, despertar os mortos, e recompor o que foi esmigalhado. Mas uma tempestade sopra do paraíso; ela atinge-lhe as asas com tal violência que ele não mais pode fechá-las. Esta tempestade o empurra irresistivelmente ao futuro para o qual suas costas estão voltadas, enquanto os destroços a seus pés se amontoam rumo ao céu. Esta tempestade é o que chamamos de progresso”. Dentro da linha que o caracteriza, o pensador escreveu o seguinte sobre os anais da luta de classes: “Mesmo os mortos não estarão a salvo do inimigo se este vencer; e este inimigo só tem colecionado vitórias”. Será que precisa dizer mais alguma coisa?

Nós somos os meninos perdidos no meio da Terra do Nunca. Alguém já ouviu falar deles? Quem são? Fazem o que mesmo? Qual será o mundo pseudo-concreto, o nosso ou o deles? Quem vive na fantasia? No mundo do faz-de-conta. No mundo de mentirinha. Somos nós. Sim meus caros. O capitalismo moderno nos deixou tão obsoletos que não fazemos mais parte da história. O fetiche da mercadoria, que foi tão brilhantemente formulado por Marx, virou a própria relação social como um todo. Algo como que se a ideologia a qual nos mostra uma visão falseada do real, um mundo invertido, que para nós cabe a tarefa de colocá-lo no próprio eixo, é como que se esse mundo invertido fosse a própria realidade. Não há mais como “tirar o véu que encobre as relações sociais”, tal qual dizia Marx, porque o véu são as relações sociais. O todo virou fetiche. Como diria Adorno, a “ideologia está dentro do processo de produção da indústria cultural”. Se tudo virou fetiche, então, a mercadoria, tal qual Marx dizia, com valor de uso e valor de troca ficou um pouco modificada. Hoje, o que temos são mercadorias que não tem valor de uso nenhum para nós. O que elas têm é sim valor de troca, só isso. Por meio da indústria cultural são criados valores de uso em mercadorias que só têm valor de troca. É o tal de criar necessidades desnecessárias que vemos a todo o momento, em todo lugar. Cria-se uma expectativa para algo que depois se percebe que não tem utilidade nenhuma. Como que se processam esses valores de uso? Na propaganda. É lá que é criada para nós a expectativa quanto ao produto. São propagandas que, na maioria das vezes, nem fazem muita menção ao produto em si, mas o associam a momentos pelos quais você não viveria se não usasse aquela mercadoria. Refiro-me a uso, neste caso, no sentido lato do termo, o que também serve para produto; generalizo tudo. Pode ser uma barra de chocolate, ou um filme da Xuxa, ou plano de saúde, ou uma música da moda, ou um liquidificador, não importa, tudo está fetichizado. Pode ser uma notícia ou um sabão em pó. Em casos extremos o produto pode até ser uma garota bonita, ou um cara saradão, ou até seu melhor amigo, ou mesmo seu familiar; creio que é neste sentido que Marx disse no Manifesto Comunista que “o capitalismo transforma as relações familiares em meras relações monetárias”. É o fetiche comendo solto. Você não sabe quem é aquela garota, o que ela faz ou deixa de fazer, apenas quer consumi-la e, o mais depressa possível, descartá-la, porque você percebe que no fim, ela não tem uso nenhum para você, ela apenas é um meio e não um fim. Descarta o “produto” também, porque há outras “mercadorias” que agora o seduzem e que amanhã não o seduzirão mais, porque já estarão fora de moda. Fato que é visível em qualquer festa de jovens na atualidade. Esta é só uma das facetas deste mundo moderno. São problemas que ainda carecem de entendimento e conceituação, acrescento dentre eles: as transformações rápidas e turbulentas, dissolução dos vínculos sociais de caráter orgânico, o triunfo da tecnologia e do tecnicismo, a eclosão dos regimes totalitários e dos campos de concentração e extermínio, a atrofia da autonomia dos indivíduos, a vitória planetária de mercado, a contínua luta pela liberdade. Esse é o trágico século XX. E o XXI? Não foge muito disso não; estes apontamentos só são acentuados neste novo milênio.

Não podemos deixar o fracasso nos vencer. Eu sei que você que está ai do outro lado já está de saco cheio de tudo e de todos, mas esse tudo e todos não se referem à totalidade, porque, como diria Hegel “a verdade é o todo”, então, por silogismo, como que o verdadeiro pode ser tedioso? Seria mais fácil aliarmos esta conduta ao que diria Adorno sobre tudo isso: “o todo é falso”. Sim. Exatamente. Esse Todo em que vivemos é falso! Não é o verdadeiro! Não é o justo, não é o livre, não é o autônomo, muito menos o igual, em resumo, não é o eu, é o outro. É o outro que me toma; é a mão do outro que me toma o que por finalidade me pertenceria. É daí que vem a palavra emancipação. O Todo é falso pelo fato de nossas necessidades serem falsas, nossas relações serem falsas, não é por menos que nossas liberdades são falsas, nossas escolhas também; não poderia faltar também a base material de reprodução do sistema: o modo de produção é falso. Falso porque ele reifica a realidade. Nós a desejamos. Apesar da extrema contradição deste mundo. Apesar de toda discrepância que dele resulta. Somos seduzidos por essa realidade. Queremos fazer parte dela, consumi-la. A ciência que, em tempos passados trouxe um mundo desencantado – no sentido weberiano (racionalizado) -, agora, por meio do capitalismo tardio, ela re-encanta o mundo. Essa pseudo-realidade encobre os meios pelos quais este sistema espalha miséria, exploração, dominação e miséria. É a ciência transfigurada em mercadoria e em armas de destruição e poder.

E no mundo universitário, será que lá as coisas são diferentes? Eu acho que não. E é deste mundo que quero falar, mas precisamente sobre o universitário em si. O que será que o motiva na carreira acadêmica? O que pensa o universitário sobre o mundo? Qual é a sua realidade? A resolução de tais questões não será procedida por algum trabalho de campo específico. Pode-se dizer que até é um trabalho de cunho empírico porque tenho que me debruçar sobre alguma realidade. Mas esta não será preestabelecida por critérios rígidos e dogmáticos. É a reflexão de um acadêmico sobre seu mundo prosaico. São somente predições de caráter especulativo, nada muito objetivo, mas nem por isso podem ser consideradas fantasiosas ou oníricas. Tomando emprestado o subtítulo do livro Mínima Moralia de Theodor Adorno: são “Reflexões a partir da vida danificada”. Não vou tratar rigidamente tudo isso, até porque, acima de tudo, não tenho tempo. E esta é uma das características principais do mundo moderno: tempo é dinheiro! Não vou endurecer nos conceitos até porque ainda não tenho muita intimidade com eles. Mas, lembrando Hegel, é preciso “tornar fluídos os conceitos rígidos, os pensamentos duros”.

Há tempos não escrevo neste site, mas não é só com relação ao blog que estou ausente, deixei muitas coisas de lado, o tempo livre principalmente – se é que ele exista de fato. Referi-me a este porque ele é associado as “coisas boas da vida”, ao divertimento. Neste momento você deve estar pensando: peraí, esse Leonardo tá loco! Aquele porra loca das antiga virou crente acadêmico? Como assim? Não é que eu tenha virado um eremita ou coisa parecida, só me desvinculei do tempo livre – ainda estou em transição – enquanto hobby. Minha vida deixou de ser hobby, agora, o hobby é minha vida. Digo isso no sentido negativo da expressão, não no sentido dado pela indústria cultural. O meu hobby virou uma negação do próprio hobby. Neste caso não é que eu tenha virado um franciscano ou coisa do tipo, até porque no caso deles é tudo fuga ideológica. São messiânicos pregando voto de pobreza no mundo do capital. É somente uma entre as várias dimensões de nossa realidade antagônica, antitética e contraditória. Aqui também, reafirmo o Todo é falso dito lá em cima pelo Adorno. Pela materialidade, incontestável, os pobres religiosos ainda dependem do sistema, e como dependem. Não há nada de caridade ali, só omissão. Omissão do católico quanto à realidade, que é capitalista. Tentam fugir do pecado, e, no entanto, só estão atrás do desejo. Eles também se lambuzam da podridão ideológica cultural. Se alienam na sua realidade hipostasiada. Vivem num cosmos já destruído por Copérnico lá no século XVI. Que barbárie! Só no século passado a Igreja “perdoou” Galileu! A Razão, que é negada em nossa sociedade, já neste período começou a efetivar a construção, daquele que, como diria Giordano Bruno, seria o Homo Faber. É o homem que é senhor de seu próprio destino. O homem autônomo que é livre do medo e da passividade, da ignorância e da resignação. Mas não, o franciscano só quer viver na Toca de Assis, mutilado do mundo concreto por suas músicas estúpidas e pelo seu assistencialismo barato. Entretanto, não era sobre o franciscano que eu estava dizendo. Dizia sobre o hobby. Pois é, eu estou tentando negá-lo, e é da negação que surge o primeiro movimento da dialética. É da negação que nasce a crítica! Mudo um pouco o que Gramsci disse com relação ao pessimismo teórico, mas não a ponto de mudar o sentido da frase. É o negativismo do intelecto e o otimismo da vontade. É pela negação da minha própria realidade que estou fazendo meu aufheben **. Estou abrindo mão de uma série de elementos que faziam parte da minha vida, mas estou fazendo um caminho “adocicado”, não pratiquei as rupturas tal qual Marx dizia. Mudo porque estou sempre mudando, mas não sem rumo, pelo menos agora – eu acho. Mudo porque estou em movimento. É difícil, mas é preciso movimentar-se, até mesmo ficando a mercê da inércia é estar em movimento. O que me motivou neste ensaio foi a mudança, aquela que sinto acontecer na minha vida e é ela que constrói a vida de universitário. Mas tem que ser uma mudança qualitativa, a fim de desenvolver melhor as potencialidades humanas. E é ela que tem de nos incentivar durante a vida acadêmica. Temos que ter espírito crítico, mas, o mais importante ainda, e que falta em muitos de nós é o espírito autocrítico. A autocrítica é extremamente necessária para a teoria e para nós mesmos. Antes de querermos transformar o mundo temos que nos preocupar em nos transformarmos. Temos que renovar o tanto quanto necessário.

Vamos ser dialéticos! “A dialética intranqüiliza os comodistas, assusta os preconceituosos, perturba desagradavelmente os pragmáticos ou utilitários” (Leandro Konder). Vamos nos transformar, e para melhor! Não vamos ser só uns meros universitários com diploma na mão. Temos ainda muita teoria pela frente. Não podemos ter medo!


“O homem não tem imediatamente acesso à totalidade na sua unidade, descobre-a tão-somente no movimento do seu discurso que é ação, da sua ação que é pensamento, passo a passo, ponto por ponto, e nenhum passo é o último, nenhum ponto é privilegiado. A verdade está no discurso, verdade como ser, ser que se manifesta: mas a negação condiciona o discurso no seu início e no seu movimento e só a totalidade do discurso, a totalidade das contradições é não-contradição...A dialética não é, pois, senão o movimento incessante entre o discurso, que é ação, e a revelação da realidade neste discurso e nesta ação. A dialética é este movimento, não uma construção do espírito. Exatamente por isso a dialética acaba por saber que ela é totalidade não contraditória das contradições” (Hegel)

“O todo está sempre mudando” (Denis Diderot)

*Alusão descabida ao soberbo texto de Kant "Resposta à pergunta: que é esclarecimento".
** É a superação dialética. Hegel utilizou essa palavra alemã para designar o movimento, sem redundâncias, da dialética, que por si só já movimento. Aufheben significa suspender, mas este tem três sentidos diferentes: negação, conservação e elevação.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Decifrando enigmas ariovaldianos, ou, se você quiser, pode ser aquilo mesmo que está pensando, é uma homenagem a certas pessoas caricatas



- Olha o Brucutu, Bru-cu-tu!
Nas histórias em quadrinhos,
Das revistas, dos jornais...
- Olha o Brucutu, Bru-cu-tu!
Há um tipo curioso e divertido até demais!
- Olha o Brucutu, Bru-cu-tu!
O lugar onde ele vive todos sabem que é MU...
- Olha o Brucutu, Bru-cu-tu!
Quem ainda não ouviu falar de Brucutu?
- Olha o Brucutu, Bru-cu-tu!
Mora só numa caverna, dorme mesmo é no chão.
- Olha o Brucutu, Bru-cu-tu!
O seu carro é um dinossauro e veste pele de leão
- Olha o Brucutu, Bru-cu-tu!
Anda muito bem armado, briga sempre com prazer
- Olha o Brucutu, Bru-cu-tu!
Traz consigo um machado e gosta mesmo é de bater.
- Olha o Brucutu, Bru-cu-tu!
Mas no fundo Brucutu é bom



- Olha o Brucutu, Bru-cu-tu!
Seu amigo Fuzi é quem diz
- Olha o Brucutu, Bru-cu-tu!
Deixa Hula até usar batom



Olha o jeito dele andar.
Brucutu um certo dia foi com Hula passear
- Olha o Brucutu, Bru-cu-tu!
Foi ao baile que o rei Guz
Todo mês costuma dar
- Olha o Brucutu, Bru-cu-tu!
Só porque outro rapaz
Pra sua noiva olhou
Olha o Brucutu, Bru-cu-tu!
- Olha o Brucutu, Bru-cu-tu!
Brucutu ficou zangado
E seu nariz ele amassou.
- Olha o Brucutu, Bru-cu-tu!
Vai Brucutu, vai!
Olha o jeito dele andar...
Que foi que você disse
Eu...eu... nada, Brucutu!
Como é que você dá uma dessa, tchau!

Ouça a música de Roberto Carlos, é lisérgico!
http://radio.terra.com.br/busca/musicas.php?musica=Brucutu

terça-feira, outubro 18, 2005

Para não dizer que não falei de festas

Ninguém acreditou, mas...


Por incrível que pareça meu blog chegou a 1 ano de existência. Como que isso foi possível? Como tive tanta persistência em algo tão pouco usual para a maioria das pessoas?

Manter esse meio estranho de comunicação é algo um tanto quanto complicado, principalmente quando provas da Deise atrapalham os planos de escrever alguma coisa decente. Mas, para mim esse blog foi muito importante: primeiramente porque me fez entender um pouco (bem pouco) de HTML, e isso, a meu ver, já é uma vitória. A aparição deste site na minha vida é conseqüência do uso intenso de Internet neste período. Com a net à cabo eu ficava conectado o dia inteiro e, com um tráfego maior de kbps por segundo, era muito mais fácil procurar qualquer coisa neste vasto emaranhado de ilusão cibernética. Em segundo lugar, este blog me ajudou a extravasar meus pensamentos reprimidos (olha o Freud ai). Os que me conhecem sabem que não sou muito de falar, então, aqui eu escrevo até dar calo nos dedos (risos). Mas, voltando a prosa, a Internet me deixou viciado na futilidade mundana. A conexão à cabo era um perigo!


Coisa que hoje já é um pouco mais complicada. A net por telefone me obriga a ficar acordado até tarde (coisa muito tortuosa para mim {sic}) e a ficar pouco tempo na imensidão de informações. Nesta nova fase é muito mais difícil procurar as patologias mentais que divido com vocês. No começo eu até fiquei um pouco aborrecido por ter me desfeito da Internet rápida; como poderia viver sem este prazer tão intenso e satisfatório? Pois é, eu consegui!! No momento, sinto-me liberto deste cancro malévolo, agora tenho “tempo livre” para exercer os anseios do meu querido ócio produtivo. Não sinto nem um pouco de falta da rede virtual. É incrível como o sistema nos coloca demandas que achamos prioritárias, só que, quando nos demos em si vemos que não passa de um mero fetiche. O capital nos cria necessidade de fetiche e este último nos induz a desejos momentâneos e aparentes.



Como viver no século XXI sem a Internet? Sem alguma informação? Como é a sensação de não ter mais o mundo aos nossos olhos, ali, ao vivo e a cores? O que será da minha vida fora da “aldeia global” de McLuhan? Pois eu digo: existe vida e prazer para além das fibras ópticas! Não há mais em mim aquele desejo imediato de saber quais são as novas do mundo do cinema e quais as últimas da política brasileira. Estou liberto? Claro que não!



Lembro-me da época dos depoimentos na CPI. Puts! Eu não via a hora do Roberto Jéfferson começar a denunciar o esquema do mensalão. Ficava na expectativa do que Marcos Valério diria quando apertado pelos parlamentares. “Nossa! Amanhã vai ser o depoimento do Zé Dirceu!” Era só a mídia soltar a notícia que eu não me continha de ânsia. Pensava: “Hoje tudo deu errado, mas pelo menos alguma bomba estourou em Brasília. Vou grudar na frente da TV e assistir tudo de camarote!”. Pois é, era tudo ilusão. O que quer que acontecesse no Planalto ou na Câmara não ia mudar nada na minha cotidianeidade, e, pior, eu sabia que aquilo tudo era um grande circo no qual a grande atração era a nossa crendice fiel neste sistema injusto e contraditório. Apesar de tudo, eu adorava o barraco. É como um jogo, se entramos (ou somos incluídos, iludidos, seduzidos) queremos saber qual será o próximo capítulo. É uma estranha sensação de satisfação, de sentir parte daquilo tudo, como se agíssemos por meio dessas opções fictícias. O grande fenômeno Big Brother não se passa disso. E, não só ele, quase tudo na mídia, de uma maneira em geral, é feito para um consumo rápido (como se o conteúdo viesse mastigado) e um conseqüente descarte, isto, sem a mínima noção de qual é nosso papel em todo esse processo. É a alienação que Marx descreveu nos Manuscritos Econômico-Filosóficos no plano do trabalho fabril de uma maneira eficiente no terreno da dominação ideológica.“O trabalhador se relaciona com o produto de seu trabalho como a um objeto estranho (...) ele não é seu trabalho, mas o de outro, no fato de que não lhe pertence, de que no trabalho ele não pertence a si mesmo, mas a outro (...) um objeto estranho que o domina (...) coisa estranha, que não lhe pertence, a atividade como sofrimento (passividade)”. O velho Marx não se engana e nos dá a base para compreendermos esse complexo meio de persuasão e dominação. Só podemos analisar este analgésico fatal audiovisual se levarmos em conta as premissas do Estado Burguês, e tudo o que ele representa, todos os conflitos que são mascarados e harmonizados. Temos que descortinar esta realidade onírica. Não podemos nos fartar em revelar quais são os reais interesses dessa sociedade contraditória. Contradição esta que, começa na produção e se estende para todos os aspectos do campo social, partindo da infra-estrutura até chegar-se à super-estrutura. Não podemos nos esquecer que esta dominação também se realiza na música e nas artes, coisa que Adorno explicitou tão bem no seu instigante artigo: O fetichismo na música e a regressão da audição, que trata da fetichização da linguagem sonora sob as condições dadas pelos monopólios culturais e que, conseqüentemente ocasiona a incapacidade crescente do grande público de avaliar aquilo que é oferecido aos seus ouvidos pelos interesses mercadológicos. Adorno faz a recolocação do conceito marxiano de fetichismo no sentido de compreender sua especificiadede no tocante às mercadorias culturais.



Segundo Marx, o caráter de fetiche da mercadoria advém do fato de seu caráter de coisa esconder as relações sociais, de exploração do trabalho alheio pelo capital, que de fato a produzem. Daí a mercadoria se tornar algo misterioso, místico e “metafísico”: um objeto inanimado que parece ter vida própria, fora do controle tanto daqueles que o produzem, quanto daqueles que o consomem. Como disse Marx “não está escrito na testa do valor o que ele é”. Se na mercadoria “comum”, o caráter de fetiche diz respeito à ocultação do caráter de valor-trabalho que ela possui por meio da idolatria do seu aspecto de coisa – em que relações de exploração ficam como que submersas -, no bem cultural a suposta ausência de valor de uso (que na verdade é valor mediatizado) é hipostasiada no sentido de se transformar, ela própria, em valor de uso: a presumida inutibilidade como emblema, que, em vez de subverte o caráter mercantil do produto, acaba por reforçar o caráter de valor de troca que ele, em uma sociedade capitalista, necessariamente possui. Ou seja, somos nós que construímos esse valor de uso, que nos é injetado, mas que, na realidade, ele não existe. Aquilo que não serve para nada; só tem valor de troca.

Não vamos nos tornar seres melhores, mais críticos e reflexivos se consumirmos em doses cavalares essa grande indústria de lixo. E, ai sim, a percepção de Benjamin vai mais do que se tornar realidade, quando ele diz: “Nunca há um documento da cultura que não seja também um documento de barbárie”.

Não podemos deixar que o mundo da aparência se torne a essência do mundo, no qual, o que se vê e ouve é o que de fato existe. Eu aproveito o aniversário deste blog sem futuro para reiterar estas idéias. Temos que lutar contra a percepção fenomênica do mundo. É nela que a Indústria Cultural “deita e rola solta”, e produz um mundo aparentemente sem novas ideologias e que, conduz a uma sociedade com um rumo já previamente determinado no qual orienta a felicidade plena de pedalarmos numa bicicleta ergométrica dentro de um ônibus em movimento, no meio da cidade do Rio de Janeiro, e acharmos toda essa idiotice o máximo. Venha para o Mundo de Busbike e Liberte-se!





Lembremos dos Frankfurtianos, os quais foram duramente criticados por suas idéias de um mundo totalitário e sem perspectiva futura. Mundo no qual os agentes dotados do destino ontológico de nos conduzir para uma nova sociedade se dão de cara com um gigantesco arsenal ideológico que os cerceia de seu papel revolucionário. Os transgressores de Frankfurt diziam que nossa realidade não se trata de um regime totalitário, como o nazista, pois, “a liberdade formal de cada um está garantida”, mas de uma sociedade na qual só têm as melhores chances aqueles que se identificam inteiramente com o seu fundamento último: a exploração do trabalho alheio e, neste aspecto, a ciência mistificada e a indústria cultural são extremamente eficazes. Sutis por um lado, mas muito eficazes por outro.

Quero aproveitar este devaneio erudito para agradecer a duas pessoas que são muito importantes neste processo de vida de blogueiro, o André e a Tathi. Posso até estar meio equivocado, mas acho que eles são os únicos leitores do meu blog (risos). Pelo menos alguém lê as loucuras que escrevo, né? No entanto, o importante mesmo é escrever. Botar pra fora tudo o que quer dizer para alguém, mas com um pouco mais de calma do que numa conversa particular. É nisso que quero incentivá-los. Vamos juntos formar um grande blog anti-mistificação do mundo.

Sei que a Internet é uma merda. Como o professor José Flávio disse uma vez muito irado, num debate contra um seguidor do Gorz: “ Então viva o senso comum! A Internet vai nos libertar!”. Libertar é claro que não vai, mas vamos nos utilizar dela, fazer algo como que o louco do Jello Biafra disse uma vez: “não reclame da mídia, seja mídia!” Vamos ser mídia! Mesmo que de brincadeira, só para nossa satisfação cognitiva. Vamos fazer deste meio (criticamente) tal qual Benjamin via no cinema dos anos 30. O que pra ele era um grande meio progressista ao qual colocava os telespectadores confrontados linguagens revolucionárias esteticamente. Ele conciliava a crença na possibilidade de uma revolução socialista, a partir da massa politicamente organizada com a incontornável percepção de que os meios tecnológicos de manifestação estética tinham vindo para ficar. E é com este pensamento que termino o meu desabafo. Ufa! Achei que não iria terminar mais (risos). Vamos ser mídia e, ao mesmo tempo, ser os mais ferozes críticos dela. Vamos ser dialéticos e ajudar a transformá-la! Algo como Hegel disse uma vez e que serve no nosso caso: A Filosofia (assim como a teoria) tem de ser a estraga festas. E, neste caso, vamos estragar as festas, destoar da maioria, contestar e negar essa realidade mística.
Feliz Aniversário!

segunda-feira, outubro 17, 2005

Balzac, alguns trocos e a janela indiscreta


"A burocracia é um sistema gigantesco gerido por pigmeus" (Honoré de Balzac)

Balzac e a Costureirinha Chinesa (o filme que quero ver, parece interessante)

Por Henry Alfred Bugalho

Durante o regime maoísta na China Comunista, dois amigos, Lu e Ma, são enviado para as montanhas, por causa de suas orientações reacionárias (entenda-se ocidentalizantes), para passarem por um processo de reeducação. Neste local, eles devem aprender a se desapegarem de seus princípios capitalistas-ocidentais e descobrir como é a vida campesina revolucionária. Lá, Lu e Ma conhecem uma singela e ignorante costureirinha. O objetivo de ambos se torna, então, "civilizá-la".

Ao lerem livros proibidos, autores clássicos da literatura francesa como Balzac, Zola e Flaubert, os três criam um vínculo íntimo que os ligam à liberdade de pensamento e à ruptura de um autoritarismo intelectual. Não raro costuma-se propagar aos quatro ventos os efeitos sociais da literatura, de como ela pode mudar o mundo. Creio que poucos exemplos poderiam ser mais apropriados do que as mudanças radicais que os livros realizaram naquele pequeno vilarejo chinês perdido em meio a montanhas. O próprio processo de superação dos três acaba por se refletir em toda a vida daquelas pessoas humildes, que papagueiam ideais revolucionários sem mesmo saber o que eles significam, semelhante a muitos jovens, que se acham revolucionários sem ler (ou sem entender) Marx.

Balzac e a Costureirinha Chinesa é uma crítica, ao mesmo tempo que uma advertência, contra quaisquer princípios ditatoriais restritivos da liberdade de expressão e de como o saber e a cultura podem sim serem motores de mudanças. Ao contrário do materialismo dialético, no qual a super-estrutura acaba por refletir a infra-estrutura, aqui temos um inversão de papéis, a cultura e o ideal burguês-liberal explodindo de dentro o escopo limitado de um marxismo imbecilizado e imbecilizante.

Uma fotografia belíssima e um enredo envolvente faz deste filme uma das pérolas do cinema internacional. Inocentemente avassalador!

Confirmação de Fiscais==> Se você quer saber se vai ser fiscal do
vestibular do UEL mais uma vez clique ai. Eu acabei de ver e estou dentro.
60 reais só na primeira fase. Ih! Sociais...Sociais!!

Quer ver algo engraçado? Uma coisa que só poderia existir no Brasil. Algo tão estúpido e bizarro que nem a mente mais insana seria capaz de criar. É a contradição entre os avanços tecnológicos e a barbárie. Um complexo de complexos que só vendo para crer.Venha para o Mundo de Busbike e Liberte-se

sexta-feira, outubro 14, 2005

Vai chegar a nossa vez e...



Não me perguntem como eu achei o trecho que segue abaixo; coisas da net. Vejam como é super recompensador dar uma aula de sociologia. Nós realmente conseguimos mudar a cabeça dos aluninhos.

APU YO SERES DO MUNDO BOLA!

aki é a RockA...

pudim de cara nova! mas ainda tem muito o que fazer por aqui....
aguardem novidades!

vim pra comentar minha insatisfação com a primeira aula de sociologia...
a professora "Stefônia" falava falava e não ia pra nenhum lugar... tipo...mais nada haver saca.... deu sono cara....
do tipo:

"-BOM DIA ALUNOS! VIM FALAR SOBRE SOCIOLOGIA! ENTÃO, O QUE É SOCIOLOGIA? AS TSUNAMIS QUE ATACARAM A ÁSIA TEM HAVER COM QUESTÕES CULTURAIS! SOCIOLOGIA ESTUDA O SOCIAL... E O QUE É SOCIOLOGIA? O ILUMINISMO ANTIGAMENTE..."

detalhe na aula:

Pritz fingindo q entendeu: "...aaaaahhh!!!!... ó_ò"" *que magiko!* "
Fofyx revoltada por saber mais q a prof: "...bla bla bla.... u_Ù"
Tata voando: "hêahãê!! ^_^ *babando*"
RockA segurando pra não rir: "brup.....kkkkkkk!!!! *lê o quadro* stefônia!!! kkkkk!!!!!....hehe..tsunami...brup...hehehe..iluminismo..*se esconde debaixo da mesa*..tssss....hehhehehhahaha!!!! kkkkkkkkk!!!!!! SOCIOLOGIAAAA!!! KÁKÁKÁKÁKÁKÁKÁKÁ!!!!!!! *bate a cabeça na cadeira!*"

rss....pow.... não consegui segurar...
tipo, axamos q foi a primeira aula q a mulher deu... e foi realmente um desastre...mas as bolinhas vão tentar colaborar na próxima....

mas como eu ia dizendo...
a sociologia...kkkkkk


PRITZ BATIZOU JUJUBA COMO BOLINHA NATA DO PUDIM!
*_____* jujuba mais spuletinha do mundo!! bixinho saltitante mais lindo de todos!!!
ela ta indo pro rj amanha....
pensei em matar aula pra ver ela...
mas axo q não vou fazer isso...

engraçado...meus posts são mais pra família pudim mesmo...
bah....
to sem criatividade...

hoje pritz me ligou...xamando pra ir na tal pump...
eu disse q nao ia...aiuehiaeuueah, dae ela insistiu tanto q eu fui....
tomei um banho pra tirar a crosta de sebo acumulada pelo corpo
e fui de encontro a bolinha lhama...
nem dançamos...
tava xeio de pessoas fominhas la....
hehehehe, pritz se decepcionou...
se bem q eu nem ia conseguir dnaçar msm....


mas o q importa na verdade.. é "lhama lhama lhama lhama lhama duck!" aiuehaiueh


OBS: ainda to tentando descobrir o que é sociologia...rs

bju da gorda!
RockAju


Procura-se Marx, alguém já ouviu falar dele?

Olá genti!!! Todo belê?! Puts, Ctba é pirada mesmo... ontem tava um super clima de inverno, e hj tá um sol super ardido!!! Loucura, né?!
Ai, hj eu tive uma aula SUPER chata de SOCIOLOGIA... Ui, é a única matéria que eu ODEIO!!! Que pé no saco... Hi, hi, hi... Mas é a vida, né?! Do jeito que eu to AMANDO meu curso de Jornalismo, eu vou ter que tentar esquecer dessa aula chata e lembrar apenas das boas!!
Antes de qualquer coisa, eu queria falar aqui pro Fernando, que deixou um coment. onti, que a gente NASCEU e moramos a vida INTEIRA aqui em Ctba, então nós já estamos acostumadas, e podemos afirmar mesmo que amamos essa city, belê?! Mas valew pelas “Boas Vindas”!! Hua, hua... Continue nos visitandu, viu?!

Então... quais news eu vou colocar pra vc’s?! Ah, vc’s sabem que (apesar de ser jornalista) eu não tenho mto tempo pra ver as notícias do mundo dos famosos!!! Hi, hi, hi... Uma coisa que eu queria colocar nesse tempo que a genti ficou fora, e que nunca dava, é que meu irmão arranjou uma fita com um MONTE de episódios daquele seriado “Jackass” (*Caras de pau)... Meu Deus, os caras são PI-RA-DOS!!!! Muito doidos malucos d+!!!! Só que não era bem disso que eu queria falar... queria mesmo é falar do JOHNNY KNOXVILLE!!!


quinta-feira, outubro 13, 2005


Sociais! Da esquerda para a direita: Stela, Camillo, Willian, Berta, Fl�via, Eric, Andr�, Marcela, Morsa e Leonardo.

As imagens da ciência



"De cada ida ao cinema, apesar de todo o cuidado e atenção,saio mais estúpido e pior."
Theodor Adorno - Minima Moralia

Já faz parte da mitologia do cinema o relato do pânico dos primeiros espectadores diante das imagens de "A Chegada de um Trem à Estação". Ninguém então seria capaz de dimensionar a fantástica transformação que o cinematógrafo representaria para o imaginário visual e simbólico do novo século. "A Obra de Arte na Época de sua Reprodutibilidade Técnica", concebida por Walter Benjamin em meados de 1930, já identifica as novas atitudes do público, realizadores e atores, transformados pelo progresso técnico e estético da invenção que se transforma em arte. O filósofo ainda apostava no potencial revolucionário das técnicas de reprodução, vendo o cinema como a típica manifestação artística do novo homem e suas formas de percepção modificadas no mundo moderno.

O "medium" seria um instrumento fundamental na tarefa da politização da arte, confirmando a perda da aura, que inseria as formas estéticas anteriores no âmbito da tradição, do culto. A práxis tomaria este lugar: esse era o caminho para combater o fascismo, cuja estratégia consistia em estetizar a política e a guerra. O conceito ainda paradigmático de aura escapou à lógica de Benjamin, mostrando-se capaz não só de sobreviver ao choque provocado pelas modernas técnicas de reprodução, como cristalizando-se exatamente dentro deste novo espaço. A obra de arte burguesa cederia seu lugar, conforme apontaram Theodor Adorno e Max Horkheimer na "Dialética do Esclarecimento", não à arte politizada pelo comunismo, mas aos produtos de uma onipresente indústria cultural.



Estas são algumas reflexões de alguns autores que leio muito ultimamente. Estou preparando meu TCC e ele vai falar justamente deste fenômeno salientado por Adorno e Horkheimer, a Indústria Cultural. É nela que meus esforços intelectuais vão estar fixados a partir de agora. Alguma coisa aconteceu neste capitalismo que cerceou a crítica, a reflexão, a ação revolucionária e que criou uma cúpula de isolamento em nossas cabeças. Isolamento em todos os sentidos; estamos isolados uns dos outros e, ao mesmo tempo, de nós mesmos. Esta é uma pretensa fase do mundo na qual nos iludimos em acreditar que ela é o fim da história; que não há nada mais a se conquistar a não ser direitos e demandas pessoais. A dominação agora se dá, além do plano capital X trabalho, no plano do inconsciente; manipulam nossas vontades; o fetiche ao qual Marx fala, no primeiro capítulo do Capital, nunca esteve tão em evidência. Em nenhuma outra sociedade se alimentar ou o ato de fazer sexo tornaram-se coisas tão banais. Hoje saciamos nossa fome com uma coxinha de um real, “qualquer um” mata a fome de calorias pelas mais grotescas “bombas” de gordura, e também, “qualquer um” faz um sexozinho na hora que bem entender, seja por telefone, seja pela interner, pela mão, por filme pornô, seja pela novela... Estas não são questões que centralizam os embates sociais, mas também não podemos deixar de analisá-las. Entretanto, a base material ainda persiste e o materialismo histórico é a chave para descobrimos a história humana. A indústria cultural, junto com tudo que ela representa, seria mais um complemento as formas de dominação burguesas do capital; ela integra, manipula e seduz. No entanto, não será desta vez que irei falar mais detalhadamente sobre estas questões, até porque elas ainda estão bem embrionárias. Agora vou falar um pouco sobre o meu gosto sobre documentários.

Há muito tempo quero escrever sobre documentários, até pensava em fazer deste tema meu objeto de estudos acadêmicos. Penso que o vídeo usa de recursos que “fogem” aos da própria escrita. Abusa de uma linguagem que não é comum, e nem poderia ser, na academia. Além de ser um texto - um documento, um registro - o filme documentado é, acima de tudo, uma mensagem. Esta, na sua complexidade, é regida de diversos signos e códigos que, por sua vez, podem adquirir os mais diversos significados e, cabe ao espectador decifrá-los.

Pra mim não há dúvidas de que o documentário é uma grande fonte de investigação e pesquisa. Além disso, um documentário bem feito tem toda a metodologia de um texto científico, todavia ele não chega à mesma objetividade do mesmo. O vídeo pode até propor isso, no entanto, sua apresentação, por mais maravilhosa que seja, não chega aos pés da minúcia reflexiva de um texto acadêmico. A câmera tem que ser usada como um elemento a mais, um anexo para deixar o leitor próximo à realidade transmitida pelo cientista social.

Os sistemas audiovisuais são aqui considerados em sua totalidade semiótica, ou seja, enquanto aparatos e enquanto linguagem. E, por tratarem de fenômenos cinematográficos (registro do movimento), em um sentido mais amplo, busquei em algum tipo de teoria cinematográfica alguns pontos de vista que pudessem dar o suporte necessário para o desenvolvimento dessa fundamentação teórica (até dá pra botar fé na minha literatura, mas não se enganem, ela é pura violência simbólica, puro arbitrário cultural!).



Todavia, o que se encontrei, foi uma tendência de se considerar qualquer tipo de manifestação audiovisual, como uma forma de manipulação de linguagem exercida pelo autor (ou autores) do discurso; que sempre mascararia uma possível ligação com a realidade. Desta colocação eu tratarei mais adiante. Eu aprecio muito este tipo de visão, apesar de estar todo o texto defendendo o uso dos documentários. As leituras que faço sobre os frankfurtianos me ajudaram a pensar criticamente esta relação do documentário: dominação X emancipação. Apesar de até agora eu não ter lido nada em específico que sinalize a opinião deles sobre o assunto já deu pra perceber pela citação de Adorno qual seria o comentário dele sobre essa minha inquietação. É claro que o documentário não emancipa ninguém, mas também ele não é só dominação.
Para transpor uma certa objetividade o documento visual preconiza uma certa neutralidade para com aquilo que aborda. Este fato, ao meu ver, não passa de uma abstração romântica de nossas cabeças, já que o documentário, como qualquer outro recurso, tem uma certa processualidade em torno de sua construção que é feita e dirigida de acordo com os interesses de quem o produziu. Mas, nem por isso, este recurso pode ser descartado, isto seria levar ao limite as considerações sobre o discurso neutro e a verdade. Se fossemos pensar assim não poderíamos acreditar em nada, pois tudo o que lemos, vemos e tocamos passou na mão de um “outro” antes da chegar na nossa ou, por outras palavras, nós não lemos ou aprendemos as coisas como elas são, mas sim como os “outros” querem que elas sejam. Esta é uma discussão muito engraçada e conspiratória, se construíssemos o mundo a partir deste pensamento poderíamos provocar o caos histórico no qual nada seria levado a sério. O mundo poderia ser implodido pela especulação dos fatos, seria o fim do comportamento dogmático. Mas, não podemos nos esquecer que atrás de toda ação existe um posicionamento político e é importantíssimo levar o engajamento para dentro da universidade. Nossos pensamentos podem ser os mais transgressores possíveis, podem desconstruir os mais sólidos dogmas, entretanto, se não levamos a cabo essas idéias, se não praticamos e não conduzimos na práxis não há porque fazer ciência. Mesmo o pensamento mais progressista se não posto em movimento vira a mais conservadora contemplação deste mundo. E temos que pensar na luta de classes como carro chefe desta práxis (essa parte é pra você André).

Segundo a enciclopédia Wikipédia o documentário “é um gênero cinematográfico que se caracteriza pelo compromisso com a exploração da realidade. Mas dessa afirmativa não se deve deduzir que ele represente a realidade tal como ela é. O documentário, assim como a ficção, é uma representação parcial e subjetiva da realidade.” O cinema documentário pode ser considerado como uma fonte de pesquisa e ensino da história? Sim, mas esse gênero cinematográfico pode, também, significar para realizadores, estudiosos e espectadores uma prova da "verdade", uma vez que trabalha diretamente com imagens extraídas da realidade. É comum se imaginar o filme documentário como a expressão legítima do real ou se crer que ele está mais próximo da verdade e da realidade do que os filmes de ficção. Poderíamos nos lembrar do Kozik – ou de outros marxistas dialéticos - quando ele diz que temos que apreender a realidade tal qual ela é, e não como nós pensamos que ela seja. Temos que fugir do mundo da pseudoconcreticidade. Todavia, no documentário a verdade não é o conhecimento do objeto no momento concreto, nem tampouco é a apreensão das contradições internas. O campo da verdade no documentário tem que passar por um processo mais imediato de reflexão, um baixo grau de mediação, no entanto, volto a frisar, nem por isso podemos descartar este imprescindível documento histórico. Só que de que forma vamos incorporara este recurso na academia? Como o documentário pode ser tratado cientificamente?

Por enquanto não há muitas respostas sobre este tema. Talvez seja hora agora de trabalhar melhor tudo o que foi escrito. Não vou desenvolver mais nada, por enquanto. Como pensar o documentário de forma dialética? É esta a inquietação que quero guardar disso tudo. Pensar dialeticamente implica em pensar as contradições deste discussão, e do próprio objeto em si. Agora você me perdoem mas eu vou durmir...foi muito para uma noite só.

quarta-feira, agosto 17, 2005

Artigo publicado no Boletim n°48 Revista da Área de Humanas

“Os suspeitos de sempre”: o anticomunismo brasileiro em dois momentos

Francisco César Alves Ferraz e Leonardo de Lucas da Silva Domingues


A cena do filme é bem conhecida. Numa cidade do Marrocos francês, encontravam-se, durante a Segunda Guerra Mundial, todos os tipos de refugiados do nazismo, aguardando na cidade uma forma, legal ou ilegal, de fugir para os Estados Unidos. Enquanto aguardavam a oportunidade, essas pessoas se envolviam com os escroques locais e/ou aderiam à clandestina seção local da resistência antifascista. Sua vida não era nada fácil. A cada pequena alteração da ordem pública, o corrupto chefe de polícia da cidade dava a ordem básica aos seus subordinados: “prendam os suspeitos de sempre”. E dezenas de pessoas eram levadas aos cárceres locais.

Toda sociedade possui seus “suspeitos de sempre”. Mas no Ocidente, e particularmente no Brasil, os “suspeitos de sempre” possuíam opiniões políticas geralmente bem definidas: eram os comunistas e aqueles que, segundo as autoridades de repressão política, inadvertidamente favoreciam com suas atitudes ou omissões, sua expansão. O objetivo deste artigo é fazer uma reflexão, a partir da obra de Rodrigo Patto de Sá Motta , sobre algumas das estruturas e práticas das políticas anticomunistas no Brasil.

As bases para o anticomunismo no país são anteriores aos impactos da revolução russa de 1917. Numa sociedade recém emergida da escravidão, patronato e autoridades sempre encaravam os protestos e manifestações políticas das classes trabalhadoras de maneira semelhante: a questão social deveria ser tratada como questão de polícia, e com a violência de praxe dispensada aos tumultuadores da ordem social. Idéias socialistas, anarquistas e comunistas encontraram inicialmente dificuldades para disseminar-se nas massas proletárias urbanas brasileiras, marcadas por séculos de latifúndio, patriarcalismo e escravidão. “Isso é coisa de imigrante”, acusavam as autoridades. E tome perseguições aos elementos “nocivos”, “movidos por ideologias alienígenas”, que visavam corromper o povo honesto, ordeiro e trabalhador.

Assim, enquanto o anticomunismo nos principais centros capitalistas enfrentava trabalhadores alfabetizados e com tradições de luta que perpassavam gerações, a versão brasileira do anticomunismo combinava a violência senhorial da ordem social extinta com a violência patronal da nova ordem. Direitos que já eram desfrutados por trabalhadores europeus e norte-americanos eram negados aos trabalhadores brasileiros. Protestos proletários aceitos ou tolerados nos centros capitalistas eram considerados, pela elite brasileira, grave subversão à ordem. É sobre estas bases que o anticomunismo no país ganha força, a partir do sucesso da revolução russa de 1917.

A imagem era apocalíptica. O mal que assolava o Oriente estava prestes a desembarcar em costas brasileiras. O cheiro da ameaça vermelha pairava no ar. Seres imorais, malignos e dotados de patologias malévolas estavam se infiltrando, se alastrando, trazendo consigo a doutrina satânica do império do poder das trevas. Esses malfeitores covardes iriam escravizar nosso povo, promovendo estupros, assassinatos e a destruição da ordem. Sem piedade e humanidade, os bestiais traiçoeiros levariam o pecado em suas insígnias e, indo contra nossos bons costumes, iriam incentivar o divórcio, o amor livre e o aborto. A evocação da foice e o martelo, por fim, traria uma nuvem carregada de pesadelos transubstanciados na forma de um dragão vermelho, de um monstro alado de sete cabeças que pretendia destruir o bem, a pureza e a verdade.

O apocalipse estava anunciado e os heréticos inimigos da religião estavam preparados para a guerra. Do outro lado da batalha estava a união sagrada: uma aliança entre integralistas, liberalistas e católicos (munidos de rosários e imagens de Nossa Senhora de Fátima) que, apesar de suas divergências, tinham um inimigo em comum: o comunismo.

Este é o cenário apresentado por Motta, no seu livro sobre a história do anticomunismo no Brasil. O anticomunismo é aqui tratado como um dos fatores primordiais que refletiriam duas épocas de potencial centralização do poder, 1935-1937 e 1961-1964, duas conjunturas de exaltação social e acirramento ideológico intensos. E não por mera coincidência, a “ameaça vermelha” foi utilizada como pretexto para instaurar e legitimar dois períodos de dramática ruptura institucional: o Estado Novo e o Golpe Militar.

O autor faz sua análise partindo dos primórdios do anticomunismo no Brasil, período que ele sinaliza entre 1917-1935. O primeiro grande fato e o maior deles é a Revolução bolchevique. Seria dentro desse contexto que o comunismo se concretizaria e tomaria dimensão mundial, o que marcaria uma época de profundas crises, algumas delas devido ao fim da guerra e outras oriundas da crise de 1929.

Nesse momento (até 1930), a ameaça comunista era considerada bem remota, tinha mais a ver com o velho mundo a qual pertencia. Para os brasileiros, não se passava de uma realidade distante, apesar da ocorrência de muitas greves, certas agitações políticas e também do crescimento, na estrutura organizacional e na influência na organização política de alguns setores da sociedade, do Partido Comunista do Brasil (PCB).

A preocupação das autoridades de plantão aumentou quando os comunistas começaram a exibir sua capacidade de articulação com outros grupos políticos, como os socialistas, alguns liberais antifascistas e os militares, principalmente no Exército, culminando com a liderança comunista na Aliança Nacional Libertadora (ANL). Conseqüentemente, os grupos políticos à direita não tiveram outra escolha a não ser propagar uma ofensiva aos “vermelhos”. O levante comunista frustrado, em novembro de 1935, “facilitou” seu trabalho, e proporcionou uma “caça às bruxas” sem precedentes . Um Tribunal de Segurança Nacional foi instituído e os direitos civis das democracias liberais foram desprezados. Prisões arbitrárias, torturas, assassinatos e deportações de militantes comunistas estrangeiros constituíram o efeito mais imediato do levante fracassado. Mas o pior estava por vir. Sob o signo do perigo vermelho, o Exército toma para si a bandeira anticomunista, apelando para a imagem forjada de dupla traição dos militares “vermelhos”: à pátria (estariam a serviço de uma potência estrangeira) e aos companheiros (os teriam assassinado desarmados, enquanto estavam adormecidos em suas camas). Cria-se o mito da “Intentona Comunista”. Não importa que os processos levados a cabo pelos próprios tribunais militares tivessem desmentido essa versão. O mito institucionalizou-se e foi rememorado pela instituição militar até o fim da década de 80.

Mitos, contudo, somente se enraízam se contarem com participação das sociedades nas quais eles se inscrevem. E o terreno para a satanização do comunismo era fértil, no país. Para as representações acerca da “ameaça vermelha”, uniram-se três matrizes ideológicas básicas e tradicionais: o catolicismo, o nacionalismo e o liberalismo. A Igreja Católica assumiu o embate como uma luta entre o bem e o mal, Cristo versus Anticristo, Roma versus Moscou, o poder da fé contra o comunismo ateu. Com certeza era a mais dedicada, a mais influente e melhor estruturada forma de ataque. Objetivava renovar a confiança e hegemonia no quadro político-social brasileiro que detinha em outras épocas. Muito abalada desde a Proclamação da República e seu distanciamento com o Estado, na luta anticomunista a Igreja correu atrás do prejuízo e mostrou a reafirmação do poder eclesiástico. Outra matriz importante foi o nacionalismo: centralizador e tradicional, foi originário de modelos conservadores do séc XIX. Enfatizava a defesa da ordem e a integração nacional, repudiava as posições internacionalistas dos comunistas (“o bolchevismo apátrida”) e, dentre seus membros, participavam militares das Forças Armadas e militantes da Ação Integralista Brasileira (AIB). O Liberalismo, por fim, acenava com a defesa dos princípios a propriedade privada e a democracia. Conseguiu contribuir com a propaganda anticomunista através de críticas ao intervencionismo estatal e a supressão de liberdades individuais. Como as liberdades individuais e coletivas costumam ser as primeiras vítimas dos regimes autoritários baseados no anticomunismo , a crítica liberal ao comunismo mostra claramente seus limites, e usualmente, constitui o menos significativo movimento contra o “mal vermelho”.

Esses são os alicerces da complexa construção de representações que potencializaram os soviéticos como os seres mais perversos do planeta. Para isso, a fértil imaginação humana os apresentou como demônios, como agentes patológicos, como uma terrível ameaça estrangeira que nos levaria à imoralidade. Menções de natureza diversa como “o polvo vermelho e seus tentáculos”, “lobo moscovita”, “filhos das trevas”, “carrapatos vermelhos”, “micróbio comunista” começam a ser cotidianas. E vem ainda a temática da moral com o mais sensacional arsenal de alusões a comunistas, responsabilizando-os por orgias, estupros, incestos e até pela “socialização de mulheres”. Isso, sem falar nas representações depreciativas que foram construídas em relação à União Soviética, à “Intentona Comunista” e a Luiz Carlos Prestes.

Poucas fontes poderiam documentar tão bem essas construções como a iconografia anticomunista. Motta interpreta um variado acervo de imagens anticomunistas e as divide em temas que vão desde o comunismo satânico até representações menos metafísicas, como a influência internacional e as disputas eleitorais. São imagens de forte apelação, com mensagens de grande impacto. Profanação de igrejas, rituais satânicos, destruição de crucifixos, assassinos sanguinários e estupradores fazem parte dessa seleção.

O público não recebe tais imagens e mensagens passivamente. A sociedade civil organizada entra neste contexto como aliada fiel aos órgãos de repressão do Estado. Dezenas de grupos surgem, com as mais variadas atuações possíveis: da formação da Cruzada Brasileira Anticomunista (CBA), ligada à Marinha, à adesão a organismos internacionais, com a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), composta por militantes católicos de extrema direita. Juntos, a CBA (militares) e a TFP (religiosos) formam o tronco do anticomunismo brasileiro. Quanto à parte mais “suja” do combate aos esquerdistas, os responsáveis são as organizações terroristas. Por isso, Motta se vê na necessidade de fazer um apanhado geral sobre elas, trazendo principalmente as ações do Movimento Anticomunista (MAC) e do Comando de Caça aos Comunistas (CCC).

Para dar legitimidade a todas essas ações, foi montada uma verdadeira “indústria” do anticomunismo, tentando manipular a população e tirar proveito do terror implantado. Muitos desejavam auferir vantagens com a “ameaça”: órgãos da imprensa, grupos e líderes políticos, a igreja, os órgãos de repressão. É claro que havia sólidas convicções individuais na maioria dos anticomunistas brasileiros. No entanto, é inegável que as vantagens de ser anticomunista, em termos de conquista de poder sobre outros grupos de pessoas e mesmo em termos materiais, fazia da militância anticomunista algo bastante atraente . O oportunismo político era prática comum entre alguns líderes e somente o fato de se acusar alguém de subversão, já bastava para assegurar ambições conquistadas através de penalidades impostas a muitos desafetos ou concorrentes .

Em Motta, dois grandes momentos históricos têm uma análise mais detalhada. O período compreendido entre 1935-1937 é caracterizador da primeira grande “onda” anticomunista. Do levante de 35 até o Estado Novo, a ideologia marxista foi o pretexto chave para a centralização do poder, a repressão e as torturas. Tudo foi legitimado em nome do combate ao inimigo ateu. Motta destaca ainda, nesse contexto, o papel dos órgãos de propaganda e a “descoberta” do Plano Cohen, cuja falsidade é tão grotesca quanto sua aceitação pelas elites políticas brasileiras, veladamente ansiosas pelo fechamento institucional.

A segunda conjuntura destacada é a de 1961-1964, período marcado por um anticomunismo mais refinado e por uma época de profunda agitação político-sociocultural. A politização e mobilização mais aprofundada das classes trabalhadoras urbanas, bem como a crescente organização dos trabalhadores rurais, exigiam estratégias de enfrentamento ao perigo vermelho mais complexas. A crise da renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961, ofereceu à esquerda e aos anticomunistas um ensaio de enfrentamento. A partir de então, não haveria mais espaços para amadorismos. Financiados por generosas contribuições de empresariais nacionais e multinacionais, aglutinados em instituições aparentemente sem finalidades golpistas, como o Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPÊS) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), elites políticas, empresariais, intelectuais e militares preparavam e executavam suas estratégias de ação de classe . A campanha ideológica avançou em jornais, revistas, rádios, televisão, cinejornais, etc. Títulos como “UNE: instrumento de subversão”, “Cuba: nação independente ou satélite?”, “Como os vermelhos preparam uma arruaça”, “Governo: empreendedores de comunismo”, “Do comunismo de Karl Marx ao Muro de Berlim”, ganharam as livrarias e bancas de jornais e revistas, em edições acessíveis a todos os bolsos . A Igreja ofereceu de bom grado sua colaboração, em aliança com várias entidades anticomunistas femininas, culminando com a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, em março de 1964.
Golpes, porém, não se fazem apenas com palavras. Setores estratégicos das forças armadas, principalmente no Exército, estavam articulados com as forças golpistas supra citadas, mas não ousavam avançar contra o governo Goulart, temendo uma divisão irremediável na instituição militar, que poderia ter como conseqüência uma guerra civil. Reconheciam que, apesar de toda a doutrinação anticomunista nos quartéis, havia ainda oficiais e praças “vermelhos” espalhados pelas unidades do país. A revolta dos marinheiros e a condução titubeante que o presidente João Goulart deu à crise militar que se seguiu contribuiu para o desfecho final: golpe de Estado, início do regime militar, perseguição implacável aos “suspeitos de sempre”.

No processo de institucionalização do regime, o anticomunismo foi erigido em política de Estado. Dentro das forças armadas, a “limpeza” interna de oficiais e praças comunistas ou mesmo vagamente suspeitos foi realizada com mão de ferro. Futuros oficiais aprendiam na academia militar que deveriam preparar-se prioritariamente para combater o inimigo interno, enquanto que a defesa do país a ataques externos era deixada em segundo plano. Instituições civis, como universidades, órgãos de imprensa e a Igreja sofreram perseguições sistemáticas e vários de seus membros foram presos e torturados. Alguns, mais afortunados, ainda puderam exilar-se no exterior. Espionagem e polícia política conquistaram autonomia para ação, e a “tigrada” – denominação que Delfim Neto, então ministro da ditadura, dava aos membros dos órgãos de repressão – podia agir sem obstáculos .

Nesses dois momentos cruciais da vida política brasileira – a crise que levaria ao Estado Novo e a crise que desencadeou o golpe de Estado contra João Goulart e instaurou o regime militar – o anticomunismo inspirou o percurso que terminaria em duas ditaduras. A escolha de Motta por estes dois momentos, no entanto, não deve desviar a atenção dos interessados na história recente do país da existência de uma continuidade do anticomunismo em outros momentos, nos quais alguns dos apelos contra o “perigo vermelho” reapareceram e até mesmo se adaptaram aos novos tempos, como por exemplo, o processo de cassação do PCB e de seus parlamentares, em 1947, ou mesmo na campanha presidencial de Fernando Collor de Mello, em 1989, quando todos os elementos imagéticos do anticomunismo foram explorados à exaustão, contra o então candidato Luis Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores.

A crise dos regimes socialistas no final da década de 80 e a construção de uma nova ordem mundial pós guerra fria forneceu a ilusão de que o anticomunismo já era um fenômeno histórico datado, um ideal de combate a um inimigo que não oferecia mais resistência. Contudo, seus princípios e práticas continuam, embora atenuados, na gestão neoliberal da sociedade. Para definir esses novos tempos, poucas vezes foi tão oportuno retomar a palavra “Imperialismo”, em todas suas acepções. As resistências ao pensamento macroeconômico único, à geopolítica unipolar norte americana, às práticas de sociabilidade baseadas no consumo individualista voraz e fugaz de mercadorias e serviços, às políticas governamentais de um mal disfarçado neodarwinismo social, à insensibilidade frente à miséria absoluta de milhões em países e regiões inteiras do planeta, ainda movem centenas de milhares de pessoas no mundo inteiro. Para estes, as práticas renovadas do anticomunismo oferecem suas duas estratégias preferidas: uma é escarnecer dos “neobobos” utópicos, atrelando-os a pecha do “atraso”. Quando esta não funciona, quando a hegemonia do pensamento único não se efetiva completamente pelo convencimento, os meios de coerção estão sempre à mão. Seguindo o princípio já enunciado pelo chefe de polícia de “Casablanca”, nessas horas, é sempre bom ter “os suspeitos de sempre” para perseguir: esquerdistas, islâmicos, “radicais”, enfim, os diferentes, aqueles que sempre desafinaram o coro dos contentes.

domingo, julho 24, 2005

A criminalidade de butique

por Túlio Lima Vianna

Em 1940, Edwin H. Sutherland publicou um ensaio na American Sociological Review intitulado “White-Collar Criminality” no qual tratava de um tipo de criminalidade até então muito pouco discutida na criminologia: a criminalidade econômica, praticada por pessoas ocupantes de posições sociais de prestígio. A expressão “colarinho branco”, uma alusão às camisas usadas pelos empresários, tornou-se então a marca do diferencial de classe nas ciências penais.

A recente prisão da dona da butique Daslu e a conseqüente reação dos setores hegemônicos da sociedade aos supostos excessos da polícia federal é a prova cabal de que há algo muito especial que difere a “white-collar criminality” ou, em uma tradução livre, a criminalidade de butique, da criminalidade genérica encontrada nas ruas das grandes metrópoles.

Tomemos a nota oficial da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) sobre o caso:

"A prisão antecipada, sem sentença, seja qual for sua natureza, só pode ter lugar para os infratores perigosos que ameaçam a ordem pública, que causam prejuízos irreparáveis à sociedade e à própria segurança dos processos judiciais."

A criminalidade de butique não é perigosa? Os criminosos ricos não ameaçam a ordem pública? A sonegação de impostos não causa prejuízos irreparáveis à sociedade? Os empresários não têm maior chance de fugir do Brasil e, com isso, ameaçar a segurança dos processos judiciais?

Quem afinal a FIESP considera um criminoso perigoso? O ladrão de carteiras, de carros, de bancos? Quem é mais perigoso para a sociedade o ladrão ou o sonegador? Quem se apropria do dinheiro privado ou do dinheiro público?

Segue a nota afirmando que:
"O combate à criminalidade não pode prescindir do respeito ao Estado de Direito, sendo inadmissível que alguém possa ser preso, ou tenha sua residência, escritório ou empresa violados sem que a segurança de sua prévia culpa esteja evidenciada e que, pior ainda, seja essa prisão realizada de modo extravagante, com exibição de algemas, com publicidade afrontosa, como um espetáculo pirotécnico, expondo o cidadão à condenação pública, para todo o sempre."

Todos os dias favelas e barracos são invadidos pela polícia sem que “a segurança de prévia culpa” de quem quer que seja esteja evidenciada. Alguma vez a FIESP divulgou nota oficial sobre isso? Todos os dias ladrões e traficantes são presos, algemados e levados à delegacia onde são exibidos em cadeia nacional de televisão para alívio dos “homens de bem”. Isso nunca incomodou os empresários da FIESP?

O que incomoda à FIESP e à maioria dos que levantaram suas vozes para defender os direitos da empresária não é propriamente o desrespeito aos direitos do acusado, mas a prisão de alguém de sua classe social. O que incomoda é saber que sonegação de impostos é crime e que, pelo desencadear dos fatos, muitos colegas podem acabar em situação semelhante. O que incomoda é a perda da imunidade penal de uma classe, representada simbolicamente por esta prisão.

Enquanto a mídia se limitava a cobrir as ações policiais em favelas, reafirmando o estereótipo do pobre bandido, a FIESP nunca se indignou com a “pirotecnia” das reportagens. Bastou os colarinhos-brancos e as roupas de butique fazerem um breve desfile nas delegacias de polícia, para que novos paladinos dos direitos humanos pulassem pelo empresariado.

A criminalidade de butique não incomoda aos ricos, pois não derrama sangue, não se esconde nos morros e, principalmente, não gera medo. Mesmo quando noticiada na imprensa, seus personagens não são marginais, bandidos ou muambeiros. São empresários; quase cidadãos de bem. A criminalidade de butique quase não é crime.

Parafraseando Orwell: todos têm direitos humanos, mas alguns humanos têm mais direitos do que outros.



Túlio Lima Vianna é doutorando e professor de Direito da PUC Minas.

sábado, junho 25, 2005

Sites legais



Venezuela garante espírito do Fórum; Chávez pode deixar país

Pedro Penso, um dos organizadores do FSM na Venezuela, fala da organização e das expectativas políticas do evento. O presidente Chávez já se ofereceu para sair do país na data do Fórum, caso se avalie que sua presença possa interferir na autonomia do evento.
Entre as três sedes do Fórum Social Mundial (FSM) 2006, que, pela primeira vez em formato policêntrico, ocorrerá simultaneamente no Paquistão (Ásia), Mali (África) e Venezuela (Américas), esta última deve se destacar tanto em termos organizativos quanto numéricos, já que o processo avança rapidamente sob a coordenação do Conselho Hemisférico, composto por representantes de toda a América Latina.

Encontro internacional debaterá crise e democracia no continente

Congresso Latinoamericano de Sociologia debaterá, em Porto Alegre, crise social e política do continente, reunindo nomes como Adolfo Sanchez Vasquez, Atílio Borón, Emir Sader, Ana Esther Ceseña, Marco Aurélio Garcia e Raul Zibechi. Crescimento dos movimentos sociais e necessidade de nova teoria crítica também compõem agenda de debates.

Gostou? Estas são algumas das notícias do excelente Agência Carta Maior http://agenciacartamaior.uol.com.br/index.asp



Chega de "Internetês"!

Participe da campanha Eu Sei Escrever

O Eu Sei Escrever é o site de uma campanha com o objetivo muito nobre que também é defendido por este blog: "reduzir a quantidade de erros propositais" escritos por internautas em bate-papos ou em programas de mensagens instantâneas, como substituir "aqui" por "aki" ou "não" por "naum". Vamos acabar com esse "internetês"!
Eu mesmo já sofri muito com essa patologia. http://www.euseiescrever.com.br/

Cinema


Além da imagem é o nome do blog de meu caro amigo Felipe. Como ele próprio diz: "Blog sobre cinema, escrito por um conhecedor e admirador da sétima arte." Um bog muito legal para se informar sobre as novidades do cinema. http://alemimagem.blogspot.com/
Para quem gosta de cinema surrealista e afins é uma boa leitura. Apesar do Lipe não gostar de Glauber Rocha, o que é uma pena. (sic)

sexta-feira, junho 24, 2005

Guess who is back...??

Adesão foi de 80% no Paraná
Governo afirma que participação chegou a 20%; estudantes “engordaram” movimento

Professores e estudantes das universidades estaduais do Paraná retomam atividades normais hoje depois de três dias de greve. “A paralisação foi suspensa, mas a mobilização continua”, declarou a diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino de Maringá (Sinteemar), Ana Estela Codato Silva.
Pela manhã, o comando geral da greve se reúne em Maringá para fazer um balanço da paralisação iniciada na última terça-feira e definir os novos rumos do movimento.
Ontem, no último dia de manifestação, docentes realizaram assembléias
nos campus enquanto os alunos mantinham as atividades de protesto em
apoio aos professores. Em todas as reuniões, a opinião recorrente foi de que a greve foi válida ao colocar em evidência a necessidade de reajuste salarial.
O comando de greve diz que a adesão aos três dias de paralisação atingiu quase 80% nas cinco universidades. “Apenas um ou outro professor que já tinha marcado prova antecipadamente é que entrou em sala de aula”, disse o professor de Comunicação da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Marcelo Bronoski.
“Na UEL (Universidade Estadual de Londrina), tivemos a participação de praticamente 100% dos professores”, anunciou Inês Almeida, diretora do Sindicato dos Professores de Ensino Público de Londrina (Sindiprol).
A informação foi contestada pelo secretário secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldair Rizzi. Segundo ele, a greve
se restringiu às universidades de Londrina, Maringá e Cascavel, e mesmo assim, nessas três, a adesão foi de, em média, 20% dos professores. “Os estudantes participaram do movimento, o que deu a impressão de que ele foi maior. Mas quem não aderiu trabalhou normalmente e nas demais instituições não houve paralisação”, afirmou.

Novo protesto

Representantes das cinco instituições (UEL, UEPG, Universidade Estadual de Maringá-UEM, Universidade Estadual do Oeste-Unioeste e Universidade Estadual do Centro-Oeste-Unicentro) se reunirão na sede do Sinteemar, em Maringá, hoje de manhã.
Os professores devem avaliar a hipótese de deflagrar uma greve por tempo indeterminado dentro de 37 dias. Uma decisão formal, no entanto, só deve ser tomada na semana que vem, após assembléias em cada universidade.
“Para cada propósito há um tempo e um modo”, pontuou o diretor do
Sindiprol, César Bessa, ao avaliar a possibilidade de uma greve geral
imediata.
Os docentes reivindicam reposição salarial, aprovação de um novo plano
de carreira e abertura de concurso público para suprir o déficit de
profissionais de ensino. Segundo Bessa, a categoria está aberta e
totalmente receptiva ao diálogo com o governo, mas “falta boa vontade”
da esfera estadual para negociar.
Para o secretário Aldair Rizzi, o reajuste pedido pelos professores é irreal. Os índices variam de 60% a 80%. O governador Roberto Requião determinou que os dias parados sejam descontados dos salários dos professores.
Andye Iore, Eduardo Biagini, Miguel Portela e Glória Galembeck/Jornal de Londrina

terça-feira, junho 21, 2005

Réquiem para Roberto Requião

É, hoje foi mais um dia de luta. Infelizmente não pude estar neste embate. Mas, deixo aqui o informe sobre tudo o que aconteceu, ou sobre tudo o que ouvi falar.
Esta foi mais uma batalha vencida pelos estudantes. O que se iniciou com uma passeata no calçadão da UEL hoje estampou as televisões de todo Paraná. Se falar com a reitora já foi uma vitória, imagina ficar cara a cara com o senhor feudal.
Requião é o Sumo Pontífice da fazenda a qual com muita prepotência chamamos de Paraná, um Estado dito laico e democrático, e que na verdade é apenas uma extensão do corpo de nosso Leviatã paranaense. Como diria Luis XIV "O Estado sou eu". Esta pode ser apenas uma das faces de nosso glorioso monarca. Não há como esquecer os episódios de campanha eleitoral, nos quais diariamente víamos, através de propagandas políticas, Requião dizer que subia no palanque com o Diabo, entre outras coisas.
Vai entender né? E teve muita gente que votou nele. E depois ele tenta se explicar e só complica mais, como no caso do episódio do Diabo: "O candidato do PMDB diz que sua fala foi retirada de uma conferência, quando citava um discurso de Winston Churchil que teria dito que se Hitler invadisse o inferno ele seria aliado do diabo". Humm...Churchil, Hitler, quem vê até se entusiasma com seu conhecimento.
Bom, sei que o papo tá bom, mas eu tenho que ser sucinto. Deixo abaixo algumas matérias que saíram na mídia, não posso dar muitos esclarecimentos sobre o caso, porque afinal, eu não estava lá. Porém, não é muito difícil de se imaginar o que aconteceu.
Imagine alguns estudantes com faixas, apitos e nariz de palhaço. Agora os coloque dentro de um evento feito para a Sociedade Rural, ou seja, um bando de latifundiários. Acrescente algumas autoridades ilustres (tipo prefeito e afins), pense que estas estavam lá para puxar o saco do governador, e não só isso, dar uma lambidinha para o imperador liberar uma verba para a cidade. Nesta cerimônia sórdida inclua o próprio causador de todas as tormentas, a transubstanciação da universidade em sucata, Roberto Requião*. E, somando a tudo isso, doses cavalares de intolerância e muita ira, e, bum! O governador explodiu de raiva!

*Caso não esteja entendendo como se processa esta transformação é só se lembrar da Rainha da Sucata, aquela novela boçal da Globo. Nela a protagonista, Maria do Carmo, configurava seus trabalhos com ferro-velho em grandes fortunas. Requião sucateia a universidade e embolça belos trocos das particulares. Só que este não é um negócio montado e articulado inteligentemente, é apenas fruto de canalização da insanidade do autoritário xerife do Paraná. No entanto, esta leve demência não pode servir de desculpa para uma breve contemplação, tal qual aquela do judeu de 2000 anos atrás: "Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem". O nosso amigo pode não saber o que faz, mas nem por isso podemos perdoá-lo.
Fiquem com a mídia.

Requião se irrita com manifestação e ameaça suspender as negociações

"Eu vou dar mais uma oportunidade, ou acaba com esse silvo [barulho dos apitos dos estudantes que fizeram manifestação] ou nos próximos 30 dias eu não converso mais com a Secretaria de Ensino Superior sobre o reajuste do salário e a reestruturação das universidades. Mais um aviso e pagarão por 30 dias".
Foi desta maneira que o governador do estado, Roberto Requião, reagiu às manifestações dos alunos, realizadas nesta terça-feira (21) em Londrina, na paralisação de advertência de três dias dos professores das universidades estaduais do Paraná.
Durante toda a terça-feira, docentes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e instituições de Foz do Iguaçú e Umuarama fizeram manifestação exigindo reposição salarial. Os professores da Universidade Estadual de Maringá, que não haviam aderido à greve, em reunião nesta terça, resolveram por participar da paralisação.
Nesta quarta-feira (22) os sindicatos dos funcionários das universidades estaduais vão se reunir com a secretária de estado de Administração e Previdência, Maria Marta Lunardon, para apresentar as reivindicações. Segundo reportagem veiculada no Paraná TV, na reunião, a secretária vai mostrar o resultado de um estudo que corrige distorções salarias e de carreiras dos professores universitários. Mas, segundo o governo, antes disso não é possível aumentar os salários.
Nesta quarta a paralisação ainda permanece. Não haverá aulas nas instituições estaduais. Na sexta os professores retomam às aulas. Segundo Luiz Fernando Reis, professor e presidente do sindicato dos docentes da Unioeste, em Cascavel, "o governo terá que apresentar uma proposta até o final do primeiro semestre (julho). Caso contrário em agosto paramos de novo", afirmou.
Veja outros tópicos da matéria:



Sindicato da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Sinduepg) contesta nota oficial do Governo sobre mobilização nas Estaduais



Veja em vídeo a reação do governador Roberto Requião e como foi o dia nas universidades estaduais.




Governo divulga nota oficial sobre paralisação em universidades

Com a notícia da paralisação das atividades em cinco universidades estaduais, o governo do Paraná divulgou nesta segunda-feira a seguinte nota oficial:
“O Governo do Paraná faz de tudo para corrigir os salários dos nossos professores, assim como para corrigir as irregularidades já detectadas pelo Tribunal de Contas na estrutura salarial das Universidades Estaduais.
Há uma grande diferença entre uma universidade e outra. E todas são unidades do Sistema Estadual de Ensino Superior do Estado do Paraná. Logo, tais disparidades não deveriam existir.
Os reitores e os professores sabem perfeitamente que uma equipe do Governo trabalha com extrema dedicação, já há algum tempo, tanto para corrigir as defasagens salariais quanto para estabelecer uma nova ordenação na remuneração dos nossos professores universitários.
Com os estudos que realiza, o Governo do Paraná eliminará de vez a verdadeira caixa-preta que existe nos gastos das nossas Universidades. A folha de pagamentos será rodada pelo Estado e a sociedade saberá o que ganha cada professor ou funcionário.
O Governo está indignado com a paralisação anunciada e comunica que descontará os dias sem trabalho dos professores e funcionários, assim como cortará o descanso remunerado; ou seja, serão cinco dias de desconto nos salários, três pela paralisação e dois pelo descanso remunerado.
Todos sabem perfeitamente que o Governo tem limitações orçamentárias e é preciso que se lembrem também que o terceiro grau é uma atividade precípua da União e não do Estado. Mas o Paraná é hoje a unidade federada que mais gasta com o ensino universitário no Brasil.
No entanto, o Estado não tem só as universidades e o salário do seu pessoal para adequar às possibilidades orçamentárias. Assim, o Governo do Paraná pretende, dentro das circunstâncias, corrigir no máximo do possível os salários dos professores e funcionários.
Não esqueçam, contudo, os grevistas de hoje, que existem outras categorias do funcionalismo público estadual com os salários defasados - não somente eles; e não esqueçam ainda que estamos tentando, desde o início do Governo, acertar esses descompassos e melhorar os vencimentos de todos os servidores, dentro do possível
”.

Professores trocam as salas de aula pelas ruas para protestar

A manhã desta terça-feira (21) foi atípica nas instituições estaduais do Paraná. Em vez das salas de aulas, os professores saíram às ruas reivindicando melhores condições de trabalho, realização de concurso público e reajuste salarial.
Em Cascavel, os docentes, alunos e funcionários da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) foram até a rua principal da cidade para informar à população os motivos da paralisação. Somente a reitoria e as clínicas de odontologia e fisioterapia funcionaram normalmente. Segundo informações do Paraná TV, os alunos estão sem aulas em doze disciplinas.
Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), os professores fizeram nesta manhã uma assembléia pedindo mais autonomia para as instituições estaduais e reajuste salarial. Em Umuarama, cerca de 450 alunos ficaram sem aulas nesta terça. Em Foz do Iguaçu os professores exigiram contratação de novos docentes.
Na Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro), quase todos os professores aderiram à greve. Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), a expectativa é que os docentes também façam a paralisação.
O secretário de Ciência e Técnologia, Aldair Rizzi, informou que considera a paralisação inapropriada e avisa que as negociações que já vinham acontecendo serão interrompidas. Além disse o secretário lembrou que os parados serão descontados.

Requião defende reestruturação do ensino superior (nota do site do governo)

O governador Roberto Requião silenciou nesta terça-feira (21) um protesto de 9 estudantes e funcionários da Universidade Estadual de Londrina (UEL) ao anunciar, em Londrina, a reestruturação que o Governo do Estado esta fazendo nas instituições de ensino superior.
“A reconstrução da dignidade do funcionalismo não pode ser feita do dia para noite após oito anos de descaso, porque temos limitações orçamentárias como as previstas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Estamos corrigindo a disparidade de salários que existia dentro de uma mesma universidade e de uma para outra, em parceria com reitores e sindicatos”, afirmou.
O governador destacou a qualidade das instituições estaduais “comprovada com brilhantismo no provão” e ressaltou que a reestruturação trará mais transparência para a sociedade. “As greves são naturais numa democracia, mas não podem ser inconseqüentes, principalmente quando professores e funcionários sabem do esforço que o Governo do Estado está fazendo para readequar os salários, que serão publicados na internet assim como está sendo feito com todas as contas do governo”, disse.
Apesar do protesto ter o objetivo de atrapalhar a cerimônia de entrega de viveiros para reconstrução da mata ciliar em mais de 50 municipios, estudantes e funcionários ouviram o governador, que garantiu com firmeza que a reestruturação pretende, sobretudo, corrigir injustiças. “Sou governador de todas as categorias e não apenas daquelas que têm a capacidade de se mobilizar. Não será uma pressão localizada que me fará ceder, de forma populista e covarde, apesar de estar sempre disposto a trabalhar com justiça”, completou.

Professores da UEL entram em greve

Paralisação, que vai até quinta-feira, visa reajuste nos salários das universidades

Os professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) entram hoje em greve, que dura até a próxima quinta-feira. Além da UEL, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) e a Unioeste, em Cascavel, também farão a paralisação nesses três dias. A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) fará mobilização entre hoje e quinta-feira, mas deve manter as atividades acadêmicas.
A greve será formalizada em votação durante assembléia dos docentes hoje, às 8h30, no Centro de Ciência Humanas (CCH). Os funcionários técnico-administrativos da UEL não vão aderir ao movimento.
O presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público Estadual de Londrina e Região (Sindiprol), César Caggiano dos Santos, teve uma reunião ontem em Curitiba com o secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Aldair Tarcísio Rizzi. Dois representantes do Sinteemar, que representa os docentes da Universidade Estadual de Maringá (UEM), também participaram do encontro.
A reunião foi convocada pelo secretário e, de acordo com o diretor do Sindiprol, César Bessa, a pauta não havia sido adiantada. Dependendo do conteúdo do encontro, a greve poderia ser cancelada. Entretanto, segundo Caggiano, o secretário não apresentou nenhuma proposta nova. “Não houve avanços, o secretário colocou o que já havia sido proposto”, disse.
No último dia 13, reitores das instituições estaduais de ensino superior se reuniram com os secretários de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, de Administração e Previdência (Seap), Maria Marta Renner Weber Lunardon, e com representantes do Tribunal de Contas (TC) e do Ministério Público Estadual. Aquele encontro resultou numa proposta para ser encaminhada ao governador Roberto Requião, entre os quais a alteração dos percentuais interclasses da carreira docente, de maneira a proporcionar correção salarial diferenciada para professores assistentes, adjuntos e associados. Segundo Caggiano, como essa proposta não altera o piso salarial, não é entendida como uma proposta viável.
O orçamento 2005 do Estado destina R$ 30 milhões para pessoal e encargos de docentes das instituições estaduais de ensino superior. Segundo o presidente do Sindiprol, Rizzi não tocou nesta questão durante e reunião. Atualmente, a UEL tem 1,6 mil docentes, e o salário inicial é R$871,60.
Nota
A Agência Estadual de Notícias divulgou nota no final da tarde informando que descontará os dias sem trabalho dos professores e funcionários e os dias de descanso remunerado. Dessa forma, serão cinco dias de desconto nos salários, três pela paralisação e dois pelo descanso remunerado.

segunda-feira, junho 20, 2005

NAZI (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães)

Orkut
O chute na cara 5/6/2005 11:37 (Tirado da Comunidade Olavo de Carvalho)
"Sexta-feira saiu uma foto na capa do Globo mostrando um policial chutando a cara de um bandido que estava rendido deitado no chão.

Naturalmente o jornal, como qq outro desses comunistas disfarçados, estava mais preocupado com o bandido do que com as vítimas que ele fez.

No dia seguinte o jornal recebeu montanhas de críticas por parte de pessoas simples, com apenas os comunistas apoiando, sempre com aquela balela de direitos humanos e ONGs que nosso Olavo sempre nos lembra.

O que esses comunistas e defensores da bandidos precisam entender é que o policial estava chutando um bandido. Não era uma pessoa de bem. Como podemos recriminar um policial desse?

Eu mesmo tenho um filho que deu azar de ser pego por um policial enquanto fumava baseado. Ele apanhou e o policial, um bandido fardado, ainda cismou que queria prendê-lo. Tivemos de recorrer ao delegado que usando do bom senso, liberou me filho. O delegado, policial de boa fé -- como o que chutou o bandido --, entendeu que meu filho não era bandido. São coisas diferentes."

Pura contradição!
Este é apenas um exemplo de coisas que estão sendo disseminadas pelo Orkut. Não quero fazer nenhum discruso moralista, ou dizer o que é certo e errado, nem quero ser paternalista dizendo o que pode e o que não pode ser feito. No entanto, uma coisa é certa, a internet e toda a mídia moderna está sendo a mola propulsora do senso comum. A ideologia está "deitando e rolando" neste meio tão confuso e diverso. Precisamos pensar sobre essas problemáticas. Joseph Goebbels foi o chefe da Propaganda Nazista, e através desta que a intolerância ariana criou mecanismos para criar um sentimento de ódio e vingança. Era dele o seguinte princípio: Uma mentira dita cem vezes torna-se verdade.

Exarcebação Anti-semita

Um exemplar do livro Mein Kampf, de Adolf Hitler, foi vendido por 43 mil libras (cerca de R$ 172 mil) na casa de leilões Bloomsbury, em Londres.


O livro, de teor autobiográfico, está autografado por Hitler e fazia parte de um lote leiloado que incluía ainda uma fotografia dele – também assinada –, alguns de seus cartões pessoais de agradecimento e outros materiais de papelaria usados por integrantes da cúpula nazista.
Hitler escreveu o livro enquanto estava preso em Landsberg, na década de 20. Ele ficou cinco anos preso por sua participação numa tentativa de derrubar o governo em 1923 – dez anos antes de ele assumir o poder na Alemanha.

Na obra, cujo título se traduz em "Minha Luta", o líder nazista expressa as suas visões anti-semitas e os seus planos para a expansão alemã. O exemplar leiloado é um dos 500 impressos na primeira edição. A venda do livro é atualmente proibida na Alemanha.
A identidade do comprador não foi divulgada. Também, deve ser um excêntrico milionário. Pode ser até um brasileiro ariano, um puro sangue. Quanta palhaçada! Mas não podemos nos esquecer que aqui estiveram vários nazistas, não só os metidos a nazistas, como os integralistas, mas também membros do governo nazista. Além de Josef Mengele, que teria se afogado em 1979 em São Paulo, outros quatro criminosos nazistas viveram no Brasil: Gustav Wagner, Franz Stangl, Herbert Cockurs e o capitão da SS Eduard Roschmann. Do grupo, apenas Stangl, comandante dos tenebrosos campos de Treblinka e Sobibor, na Polônia, foi extraditado para a Alemanha, depois de localizado no Brasil, tendo sido condenado à prisão perpétua em 1967.