sexta-feira, setembro 02, 2011
"os que trabalham mais obtêm menos" (Adam Smith)
quarta-feira, agosto 31, 2011
A certeza da incerteza
terça-feira, agosto 30, 2011
Alienação como uma doença do eu
segunda-feira, agosto 29, 2011
Reflexões sobre o cotidiano I
sábado, agosto 27, 2011
Fome: problema social
quinta-feira, agosto 25, 2011
terça-feira, agosto 09, 2011
A existência precede a essência
segunda-feira, agosto 01, 2011
Wesen-Unwesen
quinta-feira, julho 21, 2011
Wissenschaft als Beruf (1917/1919)
segunda-feira, julho 18, 2011
Transformações nos processos de trabalho no capitalismo
es de uso e processo de produção de valores excedente (de troca). A produção de valor é, acima de tudo, processo de valorização, isto é, processo de produção de mais-valia e de capital. Essa é a situação em que o capitalista assegura a reprodução da sua condição de apropriação sobre a produção e o trabalho do proletário, que se reproduz, também, enquanto despossuído de meios de produção e possuidor apenas de sua força de trabalho. Tal processo se torna possível por meio da redução do tempo de trabalho necessário - a parte do tempo que o trabalhador utiliza para si mesmo - e aumento do mais trabalho, que corresponde ao tempo de trabalho para o capitalista (MARX, 1985).Na história de formação do capitalismo, o controle sobre o processo de trabalho foi palco de conflitos e de demonstrações de resistência dos trabalhadores. A luta se dava em torno da autonomia do processo de trabalho, ameaçada de diversas formas por um sistema capitalista ainda gestante. A imposição de um sistema de parcelamento das atividades dos trabalhadores, por um lado, e da centralização hierárquica do mando nas mãos do capitalista, por outro, não se deu por razões de superioridade técnica, e nem teve como função a eficácia técnica, mas, tão-somente, se deu em favor da acumulação e do controle da produção (MARGLIN, 1980).
Nesse palco de apropriação do excedente no interior do processo de trabalho, o confronto entre capital e trabalho se torna visível. A fábrica surge como espaço de disciplina e de controle, e a máquina, por sua vez, representa a arma de uma estratégia de dominação. Muitas lutas foram travadas contra a imposição da maquinaria, encabeçadas por tecelões, operários e mulheres. Michelle Perrot retrata, de maneira notável, como que na França do século XIX, estabeleceu-se uma disciplina industrial que perpassava várias instituições da sociedade, integrando a fábrica , a escola, o exército e a prisão (PERROT, 1988, p.53).
Com a máquina e o sistema de máquinas sob a grande indústria, o processo de trabalho propriamente dito tende a negar a si próprio como processo de trabalho, sob a direção consciente do trabalho vivo (trabalhador), para se tornar processo de produção do capital conduzido pelo trabalho morto (máquina). O que significa que, neste caso, o homem é deslocado do processo de trabalho, deixando de ser elemento ativo e tornando-se elemento passivo, seguindo o ritmo e a cadência do sistema de máquinas. Isso é o que Marx irá denominar como sendo a passagem da subsunção formal do trabalho para a subsunção real do trabalho ao capital (ANTUNES, 1995).
A introdução da maquinaria tem como conseqüência o aumento da produtividade, a desqualificação e a desvalorização dos trabalhadores por meio dos elementos objetivos do processo de trabalho. Na fábrica, instalações, máquinas e equipamentos não podem mais ser utilizados individualmente, porque somente adquirem funcionalidade quando utilizadas coletivamente.
Para intensificar a produção, os capitalistas precisavam conter as diversas formas de porosidade (eliminar o tempo morto) que obstacularizavam o incremento da acumulação de capital. Essas porosidades diziam respeito à falta de integração entre as atividades produtivas e a perda de tempo conseqüente dessa operação (tanto por parte do treinamento operativo do trabalhador, quanto da disposição inadequada de máquinas e matérias-primas, por exemplo) (NEFFA, 1989). A introdução da maquinaria já representava uma forma de estratégia nesse sentido.
Sobre esse plano, instalaram-se técnicas gerenciais que proporcionaram ao capital transpor esses limites. No início do Século XX, Frederick Taylor reinventa a organização do processo produtivo capitalista, com objetivo de extrair o maior aproveitamento possível da força de trabalho (formas e modalidades de obter economia de tempo). Caracterizava-se por compreender: estudos de tempos e movimentos realizados pelos trabalhadores (reduzir tempo ocioso da produção); trabalho prescrito (ação já pensada no escritório de métodos); individualização do trabalho; padronização das tarefas e dos instrumentos de trabalho; seleção pretensamente científica dos trabalhadores; treinamento operacional; pagamento individualizado (remuneração correspondendo ao rendimento, como forma de estímulo); pausas e repousos entre as atividades; e estrutura hierárquica ampliada de controle e supervisão. O taylorismo se constituía, então, em uma proposta de racionalização da produção que integra a organização científica do trabalho (OCT), aprofundando a divisão técnica do trabalho e a separação entre concepção e execução (NEFFA, 1998; CATTANI, HOLZMANN, 2006).
A introdução de todos esses mecanismos se configura numa estratégia patronal de gestão e de organização do processo produtivo, com ênfase na disciplina e no controle fabris. Analisando os processos de resistência que os trabalhadores impunham a essas mudanças, percebe-se que foi muito mais uma estratégia política para retirar o poder de decisão dos trabalhadores na fábrica por meio de uma apropriação do seu saber, visando com isso destruir uma específica organização do processo de trabalho (DE DECCA, 1984).
s de propósitos únicos (estrutura rígida).O fordismo/taylorismo teve seu desenvolvimento associado à expansão capitalista mundial, com grande ascensão durante o Estado do Bem Estar Social. No entanto, com as crises dos anos 70, o capitalismo ingressa em mais uma metamorfose, sob viés do programa neoliberal de redução do Estado e da atividade produtiva. Mudanças profundas se estabeleceram nas formas de produção e acumulação capitalista, assim como nas relações sociais que as acompanham. A crise do modelo de acumulação capitalista levou a um reordenamento das formas de organização do capital por meio de uma reestruturação produtiva. As empresas, ao tentarem restabelecer as taxas de lucro, tiveram de adotar medidas para reduzir custos de produção, aumentar a produtividade, ampliar o mercado e acelerar o giro de capital.
É a partir dos anos de 1990 que se observa a ampliação de novas técnicas de gestão do trabalho, profundamente inspiradas no chamado “modelo japonês” de administração e organização da produção. Também conhecido como toyotismo (também chamado de produção enxuta, entre outras), este novo método de gerenciamento tornou-se um fator integrante fundamental da profunda reestruturação produtiva pela qual as empresas do mundo todo vêm passando, de modo mais incisivo, desde a década de 1980. Logo, parte de suas técnicas relacionadas à gestão e treinamento da força de trabalho converteu-se em normatização obrigatória para obtenção de certificados do tipo ISO-9000 e seguintes (LAHER
A SANCHEZ, 2005). Tais certificações são hoje consideradas um padrão obrigatório para a autenticação dos negócios das mais diversas firmas perante as associações comerciais de nível nacional e internacional.Aspecto contingente do toyotismo, os Programas de Qualidade Total são o conjunto de técnicas de gestão responsáveis pela promoção do novo perfil do trabalhador prescrito pelo novo modelo de administração de empresas internacionalmente asseverado. São esses programas que respondem pelo desenvolvimento das novas demandas requeridas pelas grandes empresas relativamente à sua força de trabalho (flexibilidade, polivalência, envolvimento e participação), demandas que garantem, ao mesmo tempo, o engajamento e o desenvolvimento de habilidades operárias que potencializam a nova maquinaria informatizada. A ideologia da administração participativa própria desses programas determina um tipo de qualificação abrangente que motiva, entre outras coisas, a participação dos trabalhadores com sugestões que possam vir a melhorar seus processos de trabalho.
Sob a
atual reestruturação produtiva, essa exploração encontra-se qualitativamente agravada já que, para além da força física humana, o que está sendo extraído pela nova maquinaria que a integra é a capacidade cognitiva do trabalho vivo, aquela que produz idéias. É nesse sentido que estão sendo aplicadas as técnicas de gestão do trabalho provenientes da administração participativa, que visam a estimular as qualidades criativas da força de trabalho e, através do incitamento da participação ativa dos trabalhadores de todos os níveis no processo de produção total da empresa, promover a formalização, normalização e a conseqüente materialização dos resultados dessa criatividade. É o que para Arturo Lahera Sánchez se caracteriza como sendo a “conquista dos corações e mentes dos trabalhadores” (LAHERA SANCHEZ, 2005).A necessidade de recuperação de rentabilidade obrigou as multinacionais a internacionalizarem o seu sistema produtivo, gerando novos vínculos de subcontratação em regiões onde os contratos de trabalho eram bastante flexíveis, proporcionando produção com mão-de-obra menos onerosa como forma de diminuir custos de produção.
As transformações vêm criando dificuldades para a ação dos sindicatos, reduzindo seu poder de representação junto à classe trabalhadora e, ao mesmo tempo, exigindo novas formas de articulação que viabilizem a incorporação, organização e representação dos novos segmentos de trabalhadores, e acarretando, também, a reestruturação das estratégias de resistência dos trabalhadores.
arefas, cooperativas de trabalho, etc.Apesar de compor novos nomes e de representar novas bandeiras, como a qualidade, a participação, a criatividade e a decência, a estratégia que se dá num plano mais concreto é a mesma: a luta do capital para retirar dos trabalhadores o controle sobre o processo de trabalho. Para triunfar no plano da produção, o capital cria novas formas de trabalho e de gestão, assim como reinventa, em novos arranjos, processos de trabalho que pareciam estar superados pela sua mesma lógica racionalizadora.
A busca pelo controle do processo de trabalho traz consigo o conflito entre capital e trabalho. Essa luta dispõe-se num movimento de confronto e consentimento entre as práticas de resistência dos trabalhadores e os mecanismos/estratégias de dominação exercidos pelo capital. O processo de trabalho, incorporando suas mutações e dinâmicas, estabelece-se, assim, como ponto-chave para compreensão das transformações que configuram o caráter singular/universal do sistema capitalista.
REFERÊNCIAS
ANTUNES, R. Adeus ao Trabalho? São Paulo: Cortez/Unicamp, 1995.
CATTANI, A. D; HOLZMANN, L. Taylorismo. In: ______ (Orgs). Dicionário de Trabalho e Tecnologia. Porto Alegre: UFRGS, 2006.
DE DECCA, E. A ciência da produção. A fábrica despolitizada. Revista Brasileira de História. n.6. Marco Zero, 1984, p.47-79.
HOLZMANN, L. Processo de trabalho II. In: CATTANI, A. D; HOLZMANN, L (Orgs). Dicionário de Trabalho e Tecnologia. Porto Alegre: UFRGS, 2006.
LAHERA SANCHEZ, A. Conquistando corazones y las almas de los trabajadores: la participación de los trabajadores en la calidad total como nuevo dispositivo disicplinario. In: CASTILLO, J. J. (director) El Trabajo Recobrado. Uma evaluación del trabajo realmente existente en España. Madrid: Miño y Dávila, 2005.
MARGLIN, S. A. Origem e funções do parcelamento das tarefas. Para quê servem os patrões? In: GORZ, A (Org). Crítica da Divisão do Trabalho. São Paulo: Martins Fontes, 1980.
MARX, K. O Capital. 2.ed. vol.1 t.1 São Paulo: Nova Cultural, 1985.
NEFFA, J. C. Los Paradigmas Productivos Taylorista y Fordista y su Crisis: Uma contribuición a su estudio, desde el enfoque de la “Teoría de la Regulación”. Buenos Aires: Lumen, 1998.
NEFFA, J. C. El proceso de trabajo y la economia del tiempo. Contribuición al analisis crítico de Marx, Taylor y Ford. Buenos Aires: Humanitas, 1989.
PERROT, M. Os Excluídos da História: operários, mulheres e prisioneiros. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
domingo, julho 17, 2011
Fazer Ciências Sociais - III
quinta-feira, julho 14, 2011
Um relato memorável de um tempo não tão distante
terça-feira, julho 12, 2011
O bom escritor
segunda-feira, julho 11, 2011
Ganhar dinheiro...
quinta-feira, julho 07, 2011
O papel do escritor
Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me animado até hoje a idéia de que o menos que um escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto.
Erico Verissimo (1905-1975). Solo de clarineta
quarta-feira, julho 06, 2011
Reflexão sobre a busca pela objetividade em Giddens
Ao contrário de Bourdieu, Giddens não se preocupa em estabelecer uma ruptura entre o pensamento do senso comum e o pensamento sociológico, na intenção de dar um caráter científico a este último. Não há uma busca para desvelar aquilo que estava oculto numa apreensão mais imediata, ou mesmo uma busca por parâmetros que tornem essa busca válida. Essa é a crítica que ele faz a sociologia, por esta ter se empenhado nas discussões sobre epistemologia, como nas teorias que compõem o “consenso ortodoxo”. Para o autor, então, a busca de generalização não é um fundamento para a sociologia e nem é sua finalidade. Essa proposta um tanto relativista, em que a vida comum das pessoas ganha destaque (entendimento comum) e em que as crenças são tratadas como formas de conhecimento, é parte de sua abordagem teórico-metodológico – próxima à etnometodologia e à hermenêutica.
Essa abordagem, em conjunto com a constatação de que a sociologia deve abandonar as reflexões epistemológicas e se fixar nos princípios ontológicos (caráter ontológico do fazer humano reflexivo), põe o sociólogo apenas como um interpretador das interpretações já feitas pelo entendimento comum. Em tal situação, o compromisso – tanto social como acadêmico – da sociologia perante a realidade fica muito comprometido. O caráter crítico da ciência, nessa situação, acaba se desprendendo da realidade objetiva e termina por se orientar numa disputa de argumentos teóricos que ficam somente restritos ao pequeno contexto em que foram inseridos (de acordo com as situações em que foi produzido), sem a pretensão de qualquer tipo de generalização.
De acordo com o exposto, penso que seja importante manter, pelo menos como norte, a busca pela objetividade e pela descoberta de generalizações. A sociologia, que já enfrentou grandes questões e foi terreno fértil de reflexões críticas sobre a sociedade, não pode ficar numa situação tão passiva e coadjuvante como é a intenção de Giddens.
terça-feira, julho 05, 2011
Reflexão sobre a relação entre a essência e a revelação do oculto na perspectiva estrutural relacional de Bourdieu
Ao mesmo tempo, Bourdieu propõe uma ruptura epistemológica, delineando uma distinção entre o saber do senso comum e o saber científico. A sociologia, portanto, tem o papel e a contribuição de desvendar, desvelar a realidade, mostrar o que está oculto a uma apreensão imediata. Por esses traços, parece-nos que o autor, de alguma forma, retoma também a distinção entre essência e aparência.
No entanto, de acordo com sua teoria, o real não é somente passível de ser compreendido nem por ele mesmo (perspectiva objetivista), nem por meio do sujeito isolado, compreendendo tudo a partir de sua cabeça (subjetivismo). O autor adota, assim, uma perspectiva estruturalista relacional ao dizer que a sociologia não se faz possível somente com o conhecimento a partir da superfície, nem apenas por meio da explicação de sua estrutura fixa, mas que a tarefa do sociólogo é conhecer as estruturas das relações invisíveis, ou seja, desvendar os princípios de diferenciação social que moldam a estrutura das relações invisíveis (conhecer esse princípio numa perspectiva relacional).
Nesse contexto, para Bourdieu o que existe é uma ordem em relação. Há um princípio relacional de diferenciação social em que são adotadas novas estratégias de distinção. No interior do campo social, os agentes ocupam posições relativas em um espaço de relações invisíveis. O papel do sociólogo é encontrar o sistema dessas relações sociais, que não estão fixas na estrutura e nem são produto somente da cabeça do observador.
A perspectiva relacional de Bourdieu é antagônica à idéia de substância ou essência. Sua intenção, para instituir um caráter científico à sociologia, é superar a aparência (o senso comum), mas sem que essa atitude implique proposição essencialista rígida e inquestionável. É a partir desses pontos que o campo conceitual do autor deve ser entendido, ou seja, a idéia do real sendo relacional é central para sua compreensão teórica.
Pequena reflexão sobre a teoria de Pierre Bourdieu escrita por Leonardo de Lucas S Domingues em 05/08/2008
segunda-feira, julho 04, 2011
Estudar ciências sociais - II
s palavras que não conhece ou que não compreende o significado. Grife em seu texto, escreva do lado. Faça marcações ou qualquer coisa que chame a atenção. Faça um dicionário só seu. Pegue um caderno pequeno e coloque nele os termos que mais utiliza (pode dividir os termos sociológicos dos da língua portuguesa, por exemplo). Anote as palavras que não conhece, faça uma lista desses novos nomes (isso enriquecerá seu vocabulário). Enfim, é importante que, mesmo que a leitura não tenha nenhum propósito prático/objetivo, você não perca o que leu ou não desperdice o tempo que foi gasto a leitura. sexta-feira, julho 01, 2011
Pensar?!!
quinta-feira, junho 30, 2011
Rumores cegos de uma máquina fria ou rumores frios de uma máquina cega? Eis aqui um relato de 1793.
quarta-feira, junho 29, 2011
Os germes da 'gaiola de ferro'?
terça-feira, junho 28, 2011
Negação³

segunda-feira, junho 27, 2011
O que dura?
Interrupção, incoerência, surpresa são as condições comuns de nossa vida. Elas se tornaram mesmo necessidades reais para muitas pessoas, cujas mentes deixaram de ser alimentadas (...) por outra coisa que não mudanças repentinas e estímulos constantemente renovados (...) Não podemos mais tolerar o que dura. Não sabemos mais fazer com que o tédio dê frutos.sexta-feira, junho 24, 2011
Estudar ciências sociais – I

De repente você está lá com os seus 17/18 anos e se depara com a decisão crucial sobre o futuro de sua vida: qual curso superior escolher? E aí, sabe-se lá por que cargas d’água, razões, decisões, motivações você escolhe fazer o quê? Ciências Sociais.... Bom, talvez já tenha alguma inclinação para a coisa desde pequeno ou talvez acabe entrando nessa por não se enquadrar em nenhuma das outras categorias disponíveis. A questão é que não se sabe muito bem por que raios alguém escolhe fazer uma graduação dessas.
Lembro-me vagamente daquelas aulas iniciais, em que os professores sempre querem saber ou ter uma idéia sobre qual vento levou o aluno calouro até ali. Ainda bem que recalquei boa parte das falas proferidas. Uma garota chegou a dizer que tinha feito a tal escolha por uma mera e passageira associação entre um ex-presidente e sua formação de sociólogo. “Ah é, ele é sociólogo. Humm... Legal. Também quero ser”. Pois é, creio que é melhor pular essa parte. Mas é exatamente isso o que acontece. Há um quase completo desconhecimento sobre todo o universo que gravita em torno das ciências sociais.
Hoje ainda até existem mais recursos (cibernéticos) e informações para se ter uma noção prévia do que é entrar nesse mundo. Com a internet encontramos textos e mais textos, livros digitalizados, vídeos, páginas eletrônicas dos cursos de graduação e de pós... Tudo isso pode ajudar. Ah, e atualmente tem também a inserção da Sociologia como matéria obrigatória no ensino médio.
É claro que tudo isso ajuda, mas o certo é que você só vai saber mesmo o que é fazer ciências sociais quando já estiver fazendo. Tal fato não é nenhuma anomalia, se comparado aos outros cursos. Poderia listar uma centena de opções, e todas em todas elas a história é a mesma: há uma surpresa com a escolha tão bem pensada. Não se desanime, pode ainda ser pior. Talvez, só depois de terminada a tão sonhada e planejada graduação é que você vai perceber o que aquela escolha realmente significou para seu futuro. E aí, esse aí, pode ser um grande problema. Por enquanto, fiquemos com a nossa introdução ao mundo ciências sociais.
Você fez seu ensino médio e viu que só as matérias de humanas lhe interessavam. História, filosofia e sociologia eram os seus pontos altos no boletim. Você se vê como uma pessoa engajada, interessada nos destinos do mundo; parece que a maioria de seus outros amigos não consegue ao menos entender os verdadeiros problemas humanos que você levanta em conversas e bate-papos. É, meu caro, você já deve ter defendido os palestinos, os tibetanos, os cubanos, os indígenas, os haitianos, os sem-terra, os sem-teto, os animais em extinção... Certamente participou de passeatas e de todo tipo de manifestação. Talvez já tenha visto filmes-cabeça, dos quais mais ninguém gosta. Geralmente esse tipo de contexto e trajetória de vida, mais outros tantos elementos não destacados aqui é que levam alguém a escolher as sociais.
Essa não é uma condição necessária. Fora esse lado mais politizado, há também aqueles que, por várias razões, têm uma inclinação para um viver chamado de alternativo. Aí, aqui entram roqueiros, hippies, punks, straight edge, poetas e malucos de toda estirpe. Em qualquer universidade de médio ou grande porte, é possível notar que os alunos de ciências sociais são tidos como os mais estranhos e recebem nomes muito carinhosos da ‘comunidade’ universitária: os ‘bicho-grilo’, os ‘pé-sujo’... Há sempre alguém com dreadlocks, um outro com uma barba imensa...camisetas do Raul e adereços diversos adornam a alteridade do grupo.
O que em cursos como design gráfico, comunicação, jornalismo, marketing e propaganda é visto muitas vezes como uma demanda de mercado, o “ser alternativo” (ter estilo despojado, criativo...), lá nas sociais é uma realidade não-fabricada (com seu grau de autenticidade que o afasta da gravitação mercadológica). Talvez nenhum outro curso o coloque tão próximo da diversidade. Por trás de cada uma dessas pessoas existe uma complexa teia de relações aos submundos da cultura não-convencional. Vozes díspares e antagônicas vão querer falar, e você vai aprender a conviver com elas, a ouvi-las e a interagir com elas.
Depois de todas essas etapas, você quer saber, afinal, que curso é esse? O que ele representa? Qual a atuação das pessoas que passam por esse tipo de formação? Calma, a história é longa. Até você entender o que é um cientista social vai tempo (o que faz, então, demora mais ainda, risos). Na certa, até lá você já vai ter passado por boas crises existenciais ou até por experiências bizarras, mas isso fica para depois (para outro capítulo). O interessante é que você vai se deparar, em algum momento dessa empreitada, com célebres perguntas: até que ponto suporta seguir? É realmente intelectual o bastante para ser um acadêmico? Quais opções existem sem ser a vida universitária? Faz o curso para ser cientista ou para ser político? Trabalhar pela causa ou ser professor? Dinheiro...dinheiro...dinheiro....Vai perceber que tudo aquilo que demora a compreender, vai ser ainda mais complicado para explicar aos outros, principalmente aos que o rodeiam. Se, para descobrir a diferença entre serviço social e ciências sociais bastam algumas semanas, para todo o resto leva quase a totalidade de uma existência. Enfim, essa não é uma tarefa fácil. Descobrir o universo que representa esse curso de graduação leva muito mais do que seus quatro anos de duração. Por isso, vou trazer para essas linhas um pouco do que consegui entender; farei um pequeno manual de introdução à vida de um cientista social em formação. Isso pode servir para alguma coisa. Sei lá, você é que me diz.... Diante de minhas próprias dificuldades, resolvi escrever alguma coisa para auxiliar quem estiver prestes a fazer essa escolha.
Espero continuar escrevendo sobre isso. Não são conselhos, são somente notas marginais sobre a impressão que tive ao passar por essa experiência.
quarta-feira, junho 22, 2011
Preço da autonomia (Jardim Imperfeito)

Tzvetan Todorov (1939- )
segunda-feira, junho 20, 2011
A Modernidade e o Lager
quarta-feira, junho 15, 2011
"Homo sum..."
De uns tempos para cá, decidi acrescentar citações que encontrava em minhas leituras diárias. A questão é que, mesmo não tendo compromisso algum com esse ser que gerei, é difícil mantê-lo da forma adequada. Vendo de lá para cá, até acho que não fiz nada do que queria.
Agora, veio-me a intenção de fazer unicamente ensaios; de ir treinando os dedos para saltos mais ousados futuramente. Falta a disciplina de escrever um pouco cada dia. Quem sabe um tema por dia? Ou um por semana? Não adianta. A coisa não anda.
Resmungar não adianta.
Falta-me inspiração abstrato-imaginativa (gostou da palavra?!). Será? Acho que o que falta mesmo é vergonha na cara. Risos. Falta-me vontade. Isso até é verdade mesmo. Falta o querer movimentar-se. Que preguiça!
Faltam problemas? Isso não. Definitivamente não.
Faltam soluções? Talvez. Originais.
Do encontro ao conto, do verso ao regresso. Quantas teclas vejo....
sexta-feira, maio 13, 2011
Aos que têm(em) fome
O ardil de dialética me fez acreditar no homem, ser supremo das contradições, artefato herege dos mitos irracionais.
A narrativa do sentido se apequena em meio a intrasigência nefasta dos interesses diários.
Quem é esse ser faminto que anda pelas ruas da cidade? De que ele vive?
Em cada passo, um impulso. Sobrevivência.
Em cada casa, um conforto. Indolência.
De que será que vale o passado? Onde se esboça a imanência? Na mente ou na realidade?
Inverta as imagens, e verá que ainda continua no mesmo lugar. Desespero.
quinta-feira, maio 12, 2011
O barulho pensa?
Esses sons nos trazem uma comunicação muito autêntica que estabelecemos com nós mesmos. Há um sentido subjetivo, às vezes profundo. A música pode até ser uma explicação para outras coisas. Prefiro pensá-la como uma invenção genuinamente humana, expressão da antítese da vida: um caminho fugaz no descaminho.
sexta-feira, maio 06, 2011
Sustentabilidade????


Comentários da internet sobre a propaganda (Renault Fluence):
"É um absurdo uma propaganda que mostra um cara colocando fogo no próprio carro. Em tempos de vandalismo, esse é um péssimo exemplo, principalmente para as crianças que imitam tudo o que veem! Para mim as melhores propagandas são aquelas que conseguem unir beleza, encantamento e boas atitudes para a vida das pessoas. Eu penso que assim conseguem associar suas marcas a coisas legais. Agora eu associo Renault=Irresponsabilidade."
"Qual é o teu problema?Essa é uma das melhores propagandas que eu já vi...propagandas tem que ser engraçadas e chamar a atenção do público...muito criativa,perfeita!Essa propaganda não faz apologia a merda nenhuma,só pode que tu é uma bixinha que quer dar uma de crítico!"
"excelente, parabéns ao pessoal do marketing, uma das melhores propagandas de 2011"
O homem está hoje em dia fascinado pela possibilidade de comprar mais coisas, coisas melhores e, acima de tudo, coisas novas. Está sedento de consumo. O ato de comprar e consumir converteu-se em uma finalidade compulsiva e irracional, porque é um fim em si, com pouca relação com o uso ou o prazer das coisas compradas e consumidas. Comprar a última engenhoca, o último modelo de qualquer coisa que apareça no mercado, é o sonho de todos, em comparação com o que o prazer real do uso é bastante secundário. O homem moderno, caso ousasse falar claramente de sua concepção do céu, descreveria uma visão que pareceria a maior loja de departamentos do mundo, apresentando coisas e engenhocas novas, e ele entre elas com dinheiro bastante para comprá-las. Andaria boquiaberto por esse céu de engenhocas e mercadorias, sendo condição apenas a de que existisse número cada vez maior de coisas novas para ele comprar e, talvez também a de os seus vizinhos serem um pouco menos privilegiados do que ele.











