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quinta-feira, outubro 13, 2005

As imagens da ciência



"De cada ida ao cinema, apesar de todo o cuidado e atenção,saio mais estúpido e pior."
Theodor Adorno - Minima Moralia

Já faz parte da mitologia do cinema o relato do pânico dos primeiros espectadores diante das imagens de "A Chegada de um Trem à Estação". Ninguém então seria capaz de dimensionar a fantástica transformação que o cinematógrafo representaria para o imaginário visual e simbólico do novo século. "A Obra de Arte na Época de sua Reprodutibilidade Técnica", concebida por Walter Benjamin em meados de 1930, já identifica as novas atitudes do público, realizadores e atores, transformados pelo progresso técnico e estético da invenção que se transforma em arte. O filósofo ainda apostava no potencial revolucionário das técnicas de reprodução, vendo o cinema como a típica manifestação artística do novo homem e suas formas de percepção modificadas no mundo moderno.

O "medium" seria um instrumento fundamental na tarefa da politização da arte, confirmando a perda da aura, que inseria as formas estéticas anteriores no âmbito da tradição, do culto. A práxis tomaria este lugar: esse era o caminho para combater o fascismo, cuja estratégia consistia em estetizar a política e a guerra. O conceito ainda paradigmático de aura escapou à lógica de Benjamin, mostrando-se capaz não só de sobreviver ao choque provocado pelas modernas técnicas de reprodução, como cristalizando-se exatamente dentro deste novo espaço. A obra de arte burguesa cederia seu lugar, conforme apontaram Theodor Adorno e Max Horkheimer na "Dialética do Esclarecimento", não à arte politizada pelo comunismo, mas aos produtos de uma onipresente indústria cultural.



Estas são algumas reflexões de alguns autores que leio muito ultimamente. Estou preparando meu TCC e ele vai falar justamente deste fenômeno salientado por Adorno e Horkheimer, a Indústria Cultural. É nela que meus esforços intelectuais vão estar fixados a partir de agora. Alguma coisa aconteceu neste capitalismo que cerceou a crítica, a reflexão, a ação revolucionária e que criou uma cúpula de isolamento em nossas cabeças. Isolamento em todos os sentidos; estamos isolados uns dos outros e, ao mesmo tempo, de nós mesmos. Esta é uma pretensa fase do mundo na qual nos iludimos em acreditar que ela é o fim da história; que não há nada mais a se conquistar a não ser direitos e demandas pessoais. A dominação agora se dá, além do plano capital X trabalho, no plano do inconsciente; manipulam nossas vontades; o fetiche ao qual Marx fala, no primeiro capítulo do Capital, nunca esteve tão em evidência. Em nenhuma outra sociedade se alimentar ou o ato de fazer sexo tornaram-se coisas tão banais. Hoje saciamos nossa fome com uma coxinha de um real, “qualquer um” mata a fome de calorias pelas mais grotescas “bombas” de gordura, e também, “qualquer um” faz um sexozinho na hora que bem entender, seja por telefone, seja pela interner, pela mão, por filme pornô, seja pela novela... Estas não são questões que centralizam os embates sociais, mas também não podemos deixar de analisá-las. Entretanto, a base material ainda persiste e o materialismo histórico é a chave para descobrimos a história humana. A indústria cultural, junto com tudo que ela representa, seria mais um complemento as formas de dominação burguesas do capital; ela integra, manipula e seduz. No entanto, não será desta vez que irei falar mais detalhadamente sobre estas questões, até porque elas ainda estão bem embrionárias. Agora vou falar um pouco sobre o meu gosto sobre documentários.

Há muito tempo quero escrever sobre documentários, até pensava em fazer deste tema meu objeto de estudos acadêmicos. Penso que o vídeo usa de recursos que “fogem” aos da própria escrita. Abusa de uma linguagem que não é comum, e nem poderia ser, na academia. Além de ser um texto - um documento, um registro - o filme documentado é, acima de tudo, uma mensagem. Esta, na sua complexidade, é regida de diversos signos e códigos que, por sua vez, podem adquirir os mais diversos significados e, cabe ao espectador decifrá-los.

Pra mim não há dúvidas de que o documentário é uma grande fonte de investigação e pesquisa. Além disso, um documentário bem feito tem toda a metodologia de um texto científico, todavia ele não chega à mesma objetividade do mesmo. O vídeo pode até propor isso, no entanto, sua apresentação, por mais maravilhosa que seja, não chega aos pés da minúcia reflexiva de um texto acadêmico. A câmera tem que ser usada como um elemento a mais, um anexo para deixar o leitor próximo à realidade transmitida pelo cientista social.

Os sistemas audiovisuais são aqui considerados em sua totalidade semiótica, ou seja, enquanto aparatos e enquanto linguagem. E, por tratarem de fenômenos cinematográficos (registro do movimento), em um sentido mais amplo, busquei em algum tipo de teoria cinematográfica alguns pontos de vista que pudessem dar o suporte necessário para o desenvolvimento dessa fundamentação teórica (até dá pra botar fé na minha literatura, mas não se enganem, ela é pura violência simbólica, puro arbitrário cultural!).



Todavia, o que se encontrei, foi uma tendência de se considerar qualquer tipo de manifestação audiovisual, como uma forma de manipulação de linguagem exercida pelo autor (ou autores) do discurso; que sempre mascararia uma possível ligação com a realidade. Desta colocação eu tratarei mais adiante. Eu aprecio muito este tipo de visão, apesar de estar todo o texto defendendo o uso dos documentários. As leituras que faço sobre os frankfurtianos me ajudaram a pensar criticamente esta relação do documentário: dominação X emancipação. Apesar de até agora eu não ter lido nada em específico que sinalize a opinião deles sobre o assunto já deu pra perceber pela citação de Adorno qual seria o comentário dele sobre essa minha inquietação. É claro que o documentário não emancipa ninguém, mas também ele não é só dominação.
Para transpor uma certa objetividade o documento visual preconiza uma certa neutralidade para com aquilo que aborda. Este fato, ao meu ver, não passa de uma abstração romântica de nossas cabeças, já que o documentário, como qualquer outro recurso, tem uma certa processualidade em torno de sua construção que é feita e dirigida de acordo com os interesses de quem o produziu. Mas, nem por isso, este recurso pode ser descartado, isto seria levar ao limite as considerações sobre o discurso neutro e a verdade. Se fossemos pensar assim não poderíamos acreditar em nada, pois tudo o que lemos, vemos e tocamos passou na mão de um “outro” antes da chegar na nossa ou, por outras palavras, nós não lemos ou aprendemos as coisas como elas são, mas sim como os “outros” querem que elas sejam. Esta é uma discussão muito engraçada e conspiratória, se construíssemos o mundo a partir deste pensamento poderíamos provocar o caos histórico no qual nada seria levado a sério. O mundo poderia ser implodido pela especulação dos fatos, seria o fim do comportamento dogmático. Mas, não podemos nos esquecer que atrás de toda ação existe um posicionamento político e é importantíssimo levar o engajamento para dentro da universidade. Nossos pensamentos podem ser os mais transgressores possíveis, podem desconstruir os mais sólidos dogmas, entretanto, se não levamos a cabo essas idéias, se não praticamos e não conduzimos na práxis não há porque fazer ciência. Mesmo o pensamento mais progressista se não posto em movimento vira a mais conservadora contemplação deste mundo. E temos que pensar na luta de classes como carro chefe desta práxis (essa parte é pra você André).

Segundo a enciclopédia Wikipédia o documentário “é um gênero cinematográfico que se caracteriza pelo compromisso com a exploração da realidade. Mas dessa afirmativa não se deve deduzir que ele represente a realidade tal como ela é. O documentário, assim como a ficção, é uma representação parcial e subjetiva da realidade.” O cinema documentário pode ser considerado como uma fonte de pesquisa e ensino da história? Sim, mas esse gênero cinematográfico pode, também, significar para realizadores, estudiosos e espectadores uma prova da "verdade", uma vez que trabalha diretamente com imagens extraídas da realidade. É comum se imaginar o filme documentário como a expressão legítima do real ou se crer que ele está mais próximo da verdade e da realidade do que os filmes de ficção. Poderíamos nos lembrar do Kozik – ou de outros marxistas dialéticos - quando ele diz que temos que apreender a realidade tal qual ela é, e não como nós pensamos que ela seja. Temos que fugir do mundo da pseudoconcreticidade. Todavia, no documentário a verdade não é o conhecimento do objeto no momento concreto, nem tampouco é a apreensão das contradições internas. O campo da verdade no documentário tem que passar por um processo mais imediato de reflexão, um baixo grau de mediação, no entanto, volto a frisar, nem por isso podemos descartar este imprescindível documento histórico. Só que de que forma vamos incorporara este recurso na academia? Como o documentário pode ser tratado cientificamente?

Por enquanto não há muitas respostas sobre este tema. Talvez seja hora agora de trabalhar melhor tudo o que foi escrito. Não vou desenvolver mais nada, por enquanto. Como pensar o documentário de forma dialética? É esta a inquietação que quero guardar disso tudo. Pensar dialeticamente implica em pensar as contradições deste discussão, e do próprio objeto em si. Agora você me perdoem mas eu vou durmir...foi muito para uma noite só.

quinta-feira, maio 12, 2005

PsicoClockwork

Sem nada para postar, sem saco para escrever...coloco então um pequeno texto que escrevi com o Fernando. Uma análise do filme Laranja Mecânica com elementos de psicologia, mas sem deixar pitadas de crítica sociológica.

Discussão sobre o filme Laranja Mecânica à luz da Psicologia Comportamental

A discussão não remete apenas em fazer algum tipo de sinopse do filme, ela parte de alguns elementos colocados na obra cinematográfica que são de suma importância para compreendermos o Behaviorismo e analisarmos a sua relevância e eficácia em práticas de controle social. Estas são maneiras das quais nos condicionam (seja individualmente, ou coletivamente) a termos comportamentos socialmente concebidos sendo impostos de uma forma ideológica, cultural e opressora. Temos que nos portar de certa maneira, de modo que passemos por despercebidos pelos olhos minuciosos da coerção comportamental. Para a proteção das “anomalias” sociais subversivas o Estado conta com o monopólio do aparelho repressivo e a própria sociedade se encarrega, em alguns casos, de manter o controle social. O filme em questão é considerado um clássico por abordar estas questões universais e abrir um leque para várias leituras das mais distintas áreas.
O mais interessante é perceber que cada vez mais o homem quer vigiar (condicionar, dominar) o outro, visto que hoje estão disseminadas ações a fim de minimizar os direitos individuais (privacidade) e, se por lado estamos ficando cada vez mais individualistas, por outro estamos expondo toda nossa individualidade aos interesses do capital e da “segurança” mundial. Tornando o comportamento individual tão admirável como a face de Narciso.

O universo de Laranja Mecânica é atualíssimo, pois reflete a realidade de nossos centros urbanos repletos de gangues, cada qual com suas gírias, seus delitos violentos e o total desprezo por valores tradicionais. Respeito, solidariedade e cooperação não são as suas bandeiras. É uma realidade que reflete a ausência de controle sobre o comportamento dos jovens nos dias de hoje: as instituições sociais (família, igreja e escola) não os absorvem, deixando-os à mercê de suas orientações comportamentais primitivas, seus instintos mais agressivos e egoístas.
Numa de suas investidas, o bando comete um homicídio, o que leva o líder Alex para uma casa de detenção e, dali, para um programa de reeducação coordenado por um político astuto. O programa visa afastar o jovem de tudo aquilo que até então o excitava (sexo e violência) e consiste em obrigá-lo a assistir a cenas em que esses conteúdos estão presentes. A reação de Alex, ao invés de ser de alegria, é de profundo mal-estar, uma vez que os reeducadores o mantém sob o efeito de drogas que provocam náuseas e vômitos.
O fundamento desse programa é a teoria do condicionamento, elaborada pelo fisiologista russo I. Pavlov, no início do século XX, e desenvolvida mais tarde por J. B. Watson e B. Skinner, psicólogos norte-americanos que criaram o paradigma comportamentalista na Psicologia. Estímulos agradáveis (no caso de Alex, sexo e violência) são associados a respostas desagradáveis, como as que são induzidas no organismo do rapaz pelos fármacos. As imagens e a reação física associam-se de tal maneira que mais tarde, mesmo sem a ação das drogas, Alex irá sentir-se mal sempre que presenciar atos de conotação violenta e ou sexual.

Em Laranja Mecânica temos um excelente exemplo de como utilizar certos conhecimentos da Psicologia para o exercício do controle social. No filme, os cientistas reeducadores aplicam a punição que o espectador, de um modo geral, almeja desde os momentos iniciais do espetáculo. Talvez pudéssemos fazer o mesmo com todos os delinqüentes que assombram as noites das nossas cidades. Destruiríamos seu ímpeto agressivo e garantiríamos a tranqüilidade das famílias e dos mais fracos, preservando a ordem social. Esta seria uma visão reducionista de um problema social em que a origem se dá nas contradições entre as classes sociais e na relação trabalho X capital. Mas, de toda forma, ela não deixaria de ter um efeito imediato ao problema da violência urbana que tanto tira o sono da nossa classe média.
Alex passa a sentir náuseas também ao ouvir a Nona Sinfonia de Beethoven, música pela qual nutria verdadeira adoração. Por mero acaso, as cenas detestáveis que Alex foi obrigado a assistir durante o processo de condicionamento eram embaladas pela Nona de Beethoven. A repugnância física ficou associada não apenas a sexo violento e violência gratuita, mas também a um dos tesouros de nossa cultura.
O social queria o rapaz punido sim, mas recuperado, reintegrado à sociedade. Quem sabe ele poderia conhecer uma boa moça, casar-se, ter filhos, um emprego... Pois é esse o destino de Alex sugerido no livro que deu origem ao filme. O rapaz, que sobrevive ao atentado contra a própria vida e fica livre do condicionamento a que fora submetido, observa um casal de namorados e almeja ser como eles, um dia, ter uma vida normal. Podemos interpretar esse final como uma mensagem de Burguess sobre a história que nos conta: as atitudes de Alex e sua gang não passavam de loucuras da adolescência, agora superada. A Laranja Mecânica de Burguess seria portanto não uma crítica à desordem social que impede os jovens de terem melhor perspectiva de vida, mas uma história sobre a natural transição da adolescência para a maturidade.

Mas não é esse o final dado por Kubrick. O diretor interrompe a narrativa de Burguess no momento em que Alex, em recuperação no hospital, recebe a visita do político astucioso que comandou a experiência de condicionamento com o intuito de utilizá-la para fins eleitorais, como se fosse a solução para a violência imperante na sociedade. Dada a repercussão negativa do caso diante da opinião pública, o político propõe então que Alex aceite tornar-se seu garoto-propaganda. Abraçado ao político, o rapaz acena para os jornalistas, sorri de modo sarcástico enquanto tem um devaneio: imagina-se fazendo sexo com uma mulher em um cenário paradisíaco, cercado de nuvens tênues, emoldurado por gentlemens e ladies que o admiram. Percebe que está curado, mas seu sorriso hipócrita nos diz que no fundo ele continua o mesmo, capaz de cometer as mesmas atrocidades, apenas que agora o fará de modo a ser aceito nos ambientes mais sofisticados da sociedade.

Não dá para se afirmar que o destino do protagonista em questão dependeria tão-somente dos fatores condicionantes organizados em torno dele. Sua reeducação só se deu de uma forma aparente e falsa, nas suas concepções internas o jovem ainda acreditava nas mesmas coisas e tinha os mesmos sentimentos. No campo dos experimentos com animais podemos dizer que a psicologia comportamental é bem eficaz, no entanto, não há como afirmar a mesma coisa em meio à diversidade humana. Esta é uma forma de mutilar nossa alteridade e nossa criatividade, deixando-nos sem defesa e abrindo o caminho para a manutenção do controle na mão dos grupos detentores do poder.

segunda-feira, novembro 01, 2004

Não há limite para onde a terra acaba


Limite

Essa é a primeira cena do filme Limite de Mário Peixoto(seu único filme). Foi filmado em 1931, quando o cineasta tinha 22 anos. É considerado pela maioria esmagadora dos críticos como o maior filme brasileiro. Ele também foi o último grande filme mudo, já que nesta época os filmes americanos já eram quase todos falados.
Limite se projeta sobre a vida de três pessoas, que falam de sua vida, garantindo um movimento ininterrupto do filme. Desse modo, nos propicia uma visão pessoal de cada narrador e se nega a um mero realismo, pois se constrói na visão pessoal de cada um dos naufragos. A realidade não aparece como consumada, mas como um incessante desenrolar-se, um contínuo caminhar, nada é descritivo. A palpitação dos personagens é transfigurada para nós em imagens, para entendermos os sentimentos dos personagens.
Suas vidas são contadas, e quando entramos em suas narrativas, instauramos uma nova ordem, fragmentamos a história do filme a ponto de não lembrarmos de estarem no barco. Viver, existir e filmar consiste em criar uma linguagem e o diretor optou por não apenas assistirmos na tela, mas também participarmos.
Além de cineasta, Peixoto era poeta, passava o tempo todo escrevendo. Passou quase 40 anos de sua vida, isolado na Ilha Grande, numa casa batizada de Mansão do Morcego, cercado por antiguidades e por uma aura de mistério. Todo grande mito da cultura é, em geral, composto de doses fartas de genialidade e umas pitadas de segredo, um charme desejável por seus admiradores.
Antes de seu "exílio" na ilha, Peixoto até tentou voltar a filmar. Em 1932, ele queria muito fazer Onde a Terra Acaba, em parceria com Carmen Santos (a prostituta de Limite), mas por falta de recursos e brigas não o realizou: ela se queixava de que ele sempre mexia em tudo, buscava novos ângulos e queria ter a última palavra e o controle absoluto sobre toda a produção. "Ele era fanático pela perfeição e, mesmo que nunca chegasse a alcançá-la, sempre buscou algo superior à sua capacidade", disse ela.
Eu sempre ouvi falar de Limite, mas nunca tinha visto o filme. Primeiro eu consegui ver um documentário que fizeram sobre a vida de Peixoto, o Onde a terra acaba. Este documentário tem a direção de Sérgio Machado, e também conta com Cacá Diegues, Walter Salles, Rui Solder, Ruy Solberg, Nelson Pereira dos Santos e Matheus Nachtergaele. Adorei este documentário e minha vontade de ver Limite só aumentou.
Neste ano eu consegui vê-lo, foi lá no CCH. Vocês imaginam o que é ver um filme mudo de quase duas horas? Uma loucura...o filme realmente é muito bom, tem ótimos enquadramentos, efeitos, jogos de câmera...e, além do mais, o filme tem uma trilha sonora muito emocionante.
Não sei quando vou ver Limite denovo, espero que seja em breve. Torço para que ele, como outras pérolas sejam lançadas algum dia em DVD e possam ser difundidas pelas pessoas. A extrema maioria dos brasileiros desconhece esse grande clássico.
Mário até hoje não foi devidamente reconhecido por seu trabalho. Infelizmente isso não acontece somente com sua obra, a maioria dos gênios não são compreendidos.

Dentro de ti
neblinas se rasgaram
como compreensões
geradas
de catástrofes – como as pálidas tiras de luz
que após os ventos
em síncope – se
deixam às praias
pelo olhar líquido e amainado,transmudando
o que tardiamente
rolaram como inútil. ["Votivo", Poemas de permeio com o mar II.]

sábado, outubro 30, 2004

Os sonhos se mercantilizam


Willy Wonka

Esta ai é a foto que está correndo na internet. Suponho que você já saiba quem é este sujeito ai, não sabe não? É o fantástico Johnny Depp. Mas porquê será que ele está vestido assim? Pois é, para quem já se ligou, Deep vai ser o Willy Wonka de 2005.
Para quem não se lembra, Willy Wonka era o dono das fábricas de chocolate Wonka. É aquela fabrica com homenzinhos verdes e uma grande dose de psicodelia. O filme em questão é o Fantástica Fábrica de Chocolates, um dos maiores clássicos dos anos 70. Quem não se lembra da famosa musiquinha dos anoezinhos do Sr. Wonka, os Oompa Loompas, é inesquecível. Tem também a Veruca Salt, o Charlie que é um menino pobre cujo os avós não saem da cama de tão doentes que estão. O Roald Dahl(autor do livro) deve ter entrado em muitas viagens lisérgicas neste período.
É um filme para marcar a infância de qualquer um. São cenas tão estranhas e esquisitas que de alguma forma se prendem na nossa cabeça, mesmo que quando criança ainda não tínhamos capacidade de avaliar com muita análise toda a esfera crítica em que o filme está mergulhado.
Apesar da fábrica de Wonka ficar na Inglaterra, 3 dos cinco meninos que retiram o cupom dourado são dos EUA. Se fosse por porcentagem quanto a população mundial, dos cinco ganhadores 3 ou 4 teriam de ser do oriente. E como não poderia faltar, no filme também há um incidente quanto aos cupons, do nada aparece um cupom falsificado, e da onde este cupom seria? do Paraguai é claro. Isso tudo sem contar a mensagem de esperança que o roteiro deixa no ar, os pobres se seguirem as regras direitinho sem questionar nada, e ainda sendo honestos, podem conquistar o mundo.
No entanto, eu tinha colocado a foto do Deep para falar sobre a refilmagem deste clássico. O meu comentário sobre este fato vai muito pelo que a Cinema em cena colocou no seu site "O filme original é maravilhosamente repleto de fantasias e traz uma interpretação extremamente sensível de Gene Wilder. Será um verdadeiro sacrilégio se a Warner permitir que nossas lembranças do Willy Wonka original sejam maculadas por uma refilmagem com propósitos puramente comerciais... ". Acho que isso já resume muito do que eu queria dizer, é muito triste ver mais um filme consagrado refilmado pelos mandos do Capital. O filme conta com: Johnny Depp (Willy Wonka); Freddie Highmore (Charlie Bucket); David Kelly (Vovô Joe); Annasophia Robb (Violet Beauregarde); Julia Winter (Veruca Salt); Jordan Fry (Mike Teavee); Philip Wiegratz (Augustus Gloop); Missi Pyle (Sra. Beauregarde); Helena Bonham Carter (Sra. Bucket); Christopher Lee; Noah Taylor; James Fox.
Não queria ver o Tim Burton mexendo neste filme. Mas vamos ver no que vai dar. Acho que ele é mais do que um diretor capaz de construir um universo extremamente mágico (coisa que ele já demonstrou em muitos de seus filmes).
O que será que virá por ai?

quinta-feira, outubro 28, 2004

Monty Python


vida de brian

Não sei porque hoje eu fiquei pensando muito neste filme. Ele me marcou muito, tenho ótimas recordações desse épico. Eu já tinha ouvido falar do Monty Python, e também já tinha assistido a alguns outros clássicos do grupo. No entanto, essa é para mim a grande obra prima dos caras.
O Monty Python era uma espécie de Casseta & Planeta inglês(hoje seria mais para Hermes e Renato), na década de 70. Politicamente incorretos ao extremo, um dos mais divertidos do grupo, A Vida de Brian chegou a ser considerado uma blasfêmia,mas o humor reverteu esse quadro e o filme foi emplacou.
A Vida de Brian conta a história de um sujeito da Judéia que vive uma vida paralela a de Jesus Cristo. As pessoas pensam que ele é o salvador da humanidade e o seguem como um grande sábio, mas ele é um grande idiota que só quer se ver livre de toda aquela gente. Mas Brian é um predestinado, e acaba vivendo cenas bíblicas e tendo que enfrentar desafios semelhantes aos do Messias.
Desse filme dá pra tirar diversas indagações filosóficas sobre os mais distintos temas. Um fato marcante pra mim é o fim do filme. Não vou contar, mas é muito engraçado. Humor negro na veia. Para quem quer assistir a uma crítica construtiva sobre a religião, e toda sua doutrina e seus valores, esta é uma boa pedida.

domingo, outubro 17, 2004

Impressionante


Falar o que desse filme?
Elvi$ company

Filme baseado na história real de Aileen Wuornos (Charlize Theron), uma prostituta lésbica e serial killer. Em Michigan, a infância de Wournos foi marcada pelo abuso sexual e uso de drogas. Mais tarde, aos 13 anos, iniciou-se na prostituição. Em seguida, mudou-se para a Flórida, onde seguiu na prostituição, trabalhando nas estradas. Entre 1989 e 1990, no mesmo período em que cometeu os assassinatos, conheceu Selby Wall (Christina Ricci), com quem viveu um tórrido romance. A assassina foi presa e executada em outubro de 2002.
Eu recomendo. Muito bom!

sexta-feira, outubro 15, 2004

A aventura "javélica"


A estória da história oral Posted by Hello

Este filme é muito engraçado e interessante. Já tinha ouvido muita gente falar dele, mas só comprovei sua qualidade ao vê-lo. É mais um dos milagres que os cineastas brasileiros conseguem realizar. Como a maioria dos filmes brasileiros este também não contém grande produção, gastos exorbitantes, atores famosos, e tantos outros elementos que são comuns nos países desenvolvidos. O filme nem tem muitos atores profissionais, a maioria dos habitantes da cidade onde o filme foi rodado participam atuando nele. Foi uma grande missão para a produção do filme e para a própria diretora, Eliane Caffé. Ela "regeu" grandes ensaios com a população local, coisa que muitas vezes não se encaminhava da melhor forma possível. Foi uma aventura para todos.
Outro fato interessante sobre o filme é que os dois mil moradores de Gameleira da Lapa (locação do filme) estavam sem coleta de lixo há onze anos e foram incentivados a não apenas recolher o lixo como a separá-lo para reciclagem. Com tudo isso, a população local passou a exigir dos órgãos competentes a coleta seletiva, o que deu início a um processo para trocar o nome da cidade de Gameleira da Lapa para Javé. Certamente o filme deu mais conta da História e seus Sujeitos do que esperava.