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quinta-feira, outubro 03, 2013

Contra a sedução


Não se deixe seduzir! 
Não há caminho de volta. 
O dia se aproxima 
E já se sente o frio da noite. 
A manhã não virá nunca mais.

Não se deixe enganar! 
A vida não é muita coisa. 
É preciso bebê-la em grandes goles! 
Vocês não terão bebido o bastante 
Quando chegar a hora de deixá-la.

Não se deixem envolver! 
Não terão tempo bastante! 
Deixem apodrecer os cadáveres. 
A vida leva-os sempre 
E não se vive senão uma vez.

Não se deixem arrastar 
Aos trabalhos e às galeras. 
De que, então, vocês têm medo? 
Como todos os animais, vocês morrerão 
E depois da morte não há mais nada.

Bertolt Brecht (1898-1956). Contra a sedução.

terça-feira, outubro 18, 2011

Cultura crítica e práxis revolucionária (1916)

O homem é acima de tudo espírito, isto é, criação histórica, e não natureza. Não poderia explicar de outra forma por que, havendo existido sempre explorados e exploradores, criadores de riqueza e consumidores egoístas dela, o socialismo ainda não tenha se realizado. O fato é que só de degrau em degrau, de arranco em arranco, a humanidade adquiriu consciência do seu próprio valor...E esta consciência se formou não sob o grilhão brutal das necessidades fisiológicas, mas através da reflexão inteligente, primeiramente de alguns e depois de toda uma classe, sobre as razões de determinados fatos e sobre os meios mais adequados para transformá-los da condição de vassalagem em estandarte de rebelião e de reconstrução social. Isto significa que toda revolução foi precedida de um intenso trabalho de crítica, de penetração cultural.
Antonio Gramsci (1891-1937). Il Grido.