Mostrando postagens com marcador ilusão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ilusão. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, outubro 03, 2013

Contra a sedução


Não se deixe seduzir! 
Não há caminho de volta. 
O dia se aproxima 
E já se sente o frio da noite. 
A manhã não virá nunca mais.

Não se deixe enganar! 
A vida não é muita coisa. 
É preciso bebê-la em grandes goles! 
Vocês não terão bebido o bastante 
Quando chegar a hora de deixá-la.

Não se deixem envolver! 
Não terão tempo bastante! 
Deixem apodrecer os cadáveres. 
A vida leva-os sempre 
E não se vive senão uma vez.

Não se deixem arrastar 
Aos trabalhos e às galeras. 
De que, então, vocês têm medo? 
Como todos os animais, vocês morrerão 
E depois da morte não há mais nada.

Bertolt Brecht (1898-1956). Contra a sedução.

terça-feira, junho 19, 2012

Verdade: Cucolândia das Nuvens

O que é a verdade, portanto? Um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismos, enfim, uma soma das relações humanas, que foram enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo uso, parecem a um povo sólidas, canônicas e obrigatórias: as verdades são ilusões, das quais se esqueceu o que são, metáforas que se tornaram gastas e sem força sensível, moedas que perderam sua efígie e agora só entram em consideração como metal, não mais como moedas.
Friedrich Nietzsche (1844-1900). Sobre verdade e mentira no sentido extra-moral.